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Irã usaria arma nuclear e eliminaria todo o Oriente Médio, diz Trump

Presidente dos Estados Unidos defendeu acordo de paz firmado com o país persa nesta semana; republicano afirma que Teerã concordou em não buscar produzir armas de destruição em massa

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Presidente Donald Trump na cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França.
Presidente Donald Trump na cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França. • Foto por MANDEL NGAN / AFP

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, afirmou, nesta quarta-feira (17), que o Irã iria usar armas nucleares, assim que as construíssem, e que o país eliminaria todo o Oriente Médio com o armamento. A declaração aconteceu durante uma coletiva de imprensa, na conferência do G7, em Évian-les-Bains, na França.

Eles iriam eliminar todo o Oriente Médio, incluindo Israel, e se tivessem uma arma nuclear, teriam usado em questão de momentos após a obter

Donald Trump

A acusação do republicano contra o Irã foi um dos principais argumentos utilizados por ele para defender a guerra movida pelos Estados Unidos, com apoio de Isarel, contra o país persa, e exaltar o acordo de paz assinado na segunda-feira (15) — que, segundo Trump, "é o começo de um tratado muito maior".

O presidente norte-americano ainda afirmou que o Irã representava uma ameaça urgente no momento do início do conflito, acrescentando que no acordo atual Teerã concordou em em "não buscar, comprar nem produzir uma arma nuclear".

Entretanto, Donald Trump prometeu novos bombardeios, caso o acordo entre os países não seja oficializado. O republicano também disse que Israel deve ficar feliz com o acordo de paz com o Irã, porque eles não serão alvos de uma arma nuclear.

"Pense no que Israel está ganhando [com o acordo]: eles não serão bombardeados [por uma arma nuclear]. Acho que eles estão felizes", afirmou o presidente norte-americano.

'Acordo contempla 90% do que queríamos'

US President Donald Trump addresses the media during a closing press conference at the G7 summit, in Evian, eastern France, on June 17, 2026. A G7 summit is set to take place June 15 to 17 in the French town of Evian-les-Bains near Switzerland and it will be attended by country leaders as well as the EU's foreign policy chief and ministers from Brazil, Canada, the United Arab Emirates and Turkey. (Photo by Mandel NGAN / AFP) • Foto por MANDEL NGAN / AFP
US President Donald Trump addresses the media during a closing press conference at the G7 summit, in Evian, eastern France, on June 17, 2026. A G7 summit is set to take place June 15 to 17 in the French town of Evian-les-Bains near Switzerland and it will be attended by country leaders as well as the EU's foreign policy chief and ministers from Brazil, Canada, the United Arab Emirates and Turkey. (Photo by Mandel NGAN / AFP) • Foto por MANDEL NGAN / AFP

Donald Trump disse, ainda, que o acordo entre os Estados Unidos e Irã — anunciado no domingo (14) e assinado eletronicamente na segunda-feira (15), com previsão de uma cerimônia oficial na sexta (19) — contempla 90% do que Washington esperava, principalmente as tratativas que envolvem a abertura do Estreito de Ormuz e proibição do Irã em fabricar armas nucleares.

Até o momento, poucos detalhes sobre o acordo foram divulgados oficialmente. A imprensa iraniana publicou o que, afirma, são os aspectos centrais do acordo de 14 pontos:

  • A República Islâmica do Irã e os Estados Unidos, juntamente com seus aliados na guerra atual, declaram, mediante a assinatura deste Memorando de Entendimento, o fim imediato e permanente da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, e comprometem-se a não iniciar, a partir de agora, qualquer ação hostil um contra o outro, e a abster-se da ameaça ou do uso da força um contra o outro. O acordo final confirmará as disposições deste Artigo e dos demais Artigos.
  • A República Islâmica do Irã e os Estados Unidos comprometem-se a respeitar a soberania e a integridade territorial um do outro e a abster-se de interferir nos assuntos internos um do outro.
  • A República Islâmica do Irã e os Estados Unidos comprometem-se a negociar e chegar a um acordo final dentro de um prazo máximo de 60 dias, prorrogável por mútuo consentimento.
  • Imediatamente após a assinatura deste Memorando de Entendimento, os Estados Unidos suspendem o bloqueio naval e impedem qualquer interferência ou obstrução contra a República Islâmica do Irã, e restabelecem o tráfego marítimo em sua capacidade total em um prazo máximo de 30 dias; o tráfego de navios será proporcional ao volume de tráfego pré-guerra por parte da República Islâmica do Irã. Os Estados Unidos também se comprometem a retirar suas forças das áreas circundantes em até 30 dias após o acordo final.
  • Ao assinar este Memorando de Entendimento, a República Islâmica do Irã tomará medidas imediatas para garantir que a circulação de navios mercantes do Golfo Pérsico para o Mar de Omã e vice-versa seja retomada, dentro de 30 dias, ao volume anterior à guerra, levando em consideração a necessidade de remoção de obstáculos técnicos e neutralização de minas pelo Irã.
  • Os Estados Unidos comprometem-se, juntamente com seus parceiros regionais, a criar um plano abrangente, acordado por ambas as partes, para a reabilitação e o desenvolvimento econômico da República Islâmica do Irã, garantindo um financiamento de pelo menos US$ 300 bilhões. O mecanismo de implementação deste plano, como parte do acordo final, será formulado em 60 dias.
  • Os Estados Unidos comprometem-se a pôr fim, num cronograma a ser acordado como parte do acordo final, a todos os tipos de sanções atualmente impostas à República Islâmica do Irã, incluindo as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas e do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), bem como a todas as sanções unilaterais dos EUA, tanto primárias quanto secundárias.
  • A República Islâmica do Irã reitera que jamais produzirá armas nucleares. A República Islâmica do Irã e os Estados Unidos concordaram que o destino do material enriquecido e o destino de todas as demais questões nucleares mutuamente acordadas, incluindo as necessidades nucleares do Irã, serão adequadamente abordados em um acordo final; o acordo final confirmará as disposições deste Artigo.
  • A República Islâmica do Irã e os Estados Unidos concordam que, enquanto não houver um acordo final, manterão o status quo: o Irã manterá o status quo em seu programa nuclear, e os Estados Unidos não imporão novas sanções ao Irã nem reforçarão suas forças na região.
  • Os Estados Unidos comprometem-se a que, imediatamente após a assinatura deste Memorando de Entendimento e até a data do levantamento das sanções, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos emitirá isenções para as exportações de petróleo bruto iraniano, produtos petroquímicos e seus derivados, e todos os serviços relacionados, incluindo serviços bancários, de seguros, de transporte e similares.
  • Os Estados Unidos comprometem-se a que, tendo em conta o progresso das negociações para um acordo final, os fundos e ativos congelados ou restritos da República Islâmica do Irã sejam liberados e disponibilizados integralmente. Esses fundos, quer estejam na conta principal ou tenham sido transferidos, serão utilizados para qualquer pagamento final ao beneficiário determinado pelo Banco Central da República Islâmica do Irã e estarão totalmente disponíveis para uso. Os Estados Unidos comprometem-se a emitir todas as autorizações e licenças necessárias com base nisso.
  • A República Islâmica do Irã e os Estados Unidos concordam que será estabelecido um mecanismo de implementação para supervisionar a implementação bem-sucedida e o compromisso futuro com o Acordo Final.
  • Após a assinatura deste Memorando de Entendimento e mediante o recebimento de garantias quanto ao início da implementação dos Artigos 4, 5, 10 e 11 deste Memorando de Entendimento, e à continuidade da implementação dessas medidas, a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos iniciarão negociações para um Acordo Final exclusivamente com relação aos Artigos restantes.
  • O acordo final será aprovado por meio de uma resolução vinculativa do Conselho de Segurança da ONU.
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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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