O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nessa segunda-feira (19) que convidou os homônimos Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky para se juntar ao “Conselho de Paz”, uma organização que reivindica a missão de “promover a estabilidade” no mundo. Diversos líderes mundiais foram convidados para fazer parte do Conselho, que é presidido pelo próprio Trump, incluindo o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney.
Durante esta terça-feira (20), o presidente ucraniano confirmou ter recebido o convite, mas afirmou que acha muito difícil “imaginar estar sentado junto à Rússia em qualquer tipo de conselho”. Zelensky afirmou que diplomatas do país trabalham para encontrar a melhor resposta possível para o convite.
Os países membros, representados pelos governantes, podem participar por três anos, ou por um período mais longo caso paguem mais de US$1 bilhão (R$ 5,36 bilhões) em dinheiro no primeiro ano, de acordo com o documento fundador obtido pela Agência France-Presse na última segunda-feira.
Criação do ‘Conselho de Paz’
“O Conselho de Paz é uma organização internacional que busca promover a estabilidade, restaurar a governança confiável e legítima e garantir a paz duradoura em regiões afetadas ou ameaçadas por conflitos”, define o preâmbulo dos “estatutos” da organização criada por Donald Trump.
O texto faz clara alusão à ação da Organização das Nações Unidas (ONU) ao dizer das “diversas abordagens para a paz” que “institucionalizam as crises em vez de permitir que as pessoas avancem”. Nos documentos, declara-se também que é necessário ter “uma organização internacional de paz mais ágil e eficaz”.
Trump será “o primeiro presidente do Conselho de Paz”, com amplos poderes, e o único autorizado a convidar países a participar, a critério dele. A palavra final nas votações é do representante estadunidense, ele também poderá revogar a participação de um país, exceto em caso de veto por dois terços dos Estados-membros.
França e Canadá reagem ao convite
A reação do Canadá e da França, fortes aliados dos Estados Unidos, foi considerada fria em um primeiro momento. “Neste momento, a França não pode aceitar”, disse o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, na segunda-feira, durante um debate com parlamentares franceses, que acrescentou ser “incompatível com os compromissos internacionais da França e, em particular, com sua participação nas Nações Unidas”.
Durante o dia, Trump ameaçou impor uma tarifa de 200% sobre o vinho e o champanhe franceses para pressionar o país europeu a aderir ao Conselho. A cúpula do presidente Emmanuel Macron rapidamente rejeitou a ameaça como “ineficaz” e “inaceitável”.
Da mesma forma, uma fonte de Ottawa afirmou que “o Canadá não pagará por um assento no Conselho, nem foi solicitado a fazê-lo neste momento”, depois que o primeiro-ministro indicou que aceitaria um convite para participar.
(Sob supervisão de Alex Araújo)