Colômbia define o Congresso antes da eleição presidencial

Aliados do primeiro presidente de esquerda da Colômbia buscam reforçar sua presença no Legislativo diante da direita

Eleições na Colômbia

Os colombianos definem neste domingo (8) um novo Congresso em eleições que devem medir a temperatura do país antes da disputa presidencial, em maio, na qual a esquerda do mandatário Gustavo Petro almeja manter o poder.

Aliados do primeiro presidente de esquerda da Colômbia buscam reforçar sua presença no Legislativo diante da direita, outrora a maior força política do país, que espera recuperar espaço antes das eleições presidenciais de 31 de maio.

Mais de 41 milhões de colombianos estão registrados para votar e definir os 285 congressistas do país.

Os eleitores devem avaliar nas urnas a gestão do atual Congresso que, embora tenha aprovado algumas das ambiciosas reformas de Petro, perto do fim do seu mandato rejeitou propostas como a mudança do sistema de saúde ou uma reforma fiscal que aumentaria os impostos para os mais ricos.

O presidente respondeu aos parlamentares da oposição com manifestações frequentes da população, nas quais fez discursos fortes contra o Congresso, que perdeu prestígio entre o eleitorado nos últimos anos por vários escândalos de corrupção em um país que tenta superar mais de meio século de conflito armado.

O novo Congresso iniciará a legislatura em 20 de julho, quase três semanas antes da cerimônia de posse do sucessor de Petro.

As pesquisas apontam como favoritos para a disputa presidencial o senador de esquerda Iván Cepeda, que pertence ao mesmo partido do presidente, e Abelardo de la Espriella, um advogado próximo da direita que se apresenta como um “outsider”.

Continuidade vs. oposição

Diante do descrédito, os partidos recorreram a personalidades das redes sociais para tentar conquistar eleitores.

Cepeda, que lidera as pesquisas para a presidência, pretende dar continuidade às reformas da esquerda, razão pela qual precisa contar com um Congresso aliado, o que não acontece com Petro.

Uma das propostas da esquerda é modificar a Constituição, o que analistas consideram um risco de concentração de poder do presidente.

O ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010), o líder de direita mais influente do país, é um dos candidatos ao Senado, em uma tentativa de mobilizar os eleitores que apoiaram sua guerra contra as guerrilhas.

Uribe rejeita políticas de Petro como a “paz total”, uma aposta em negociar com grupos armados ilegais que se fortaleceram, ao invés de entregar as armas.

A violência continua sendo um fator crucial nas eleições. No ano passado, o senador de direita Miguel Uribe, que almejava ser candidato à presidência, foi assassinado durante sua campanha.

AFP

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