Tragédia no Sudão: pelo menos 60 pessoas morrem após desabamento em mina de ouro
Operações de resgates prosseguem com ajuda de operários; ainda há pessoas soterradas

Pelo menos 60 pessoas morreram, nessa terça-feira (15), após o desabamento de uma mina de ouro no sul do Sudão e várias outras estão desaparecidas, de acordo com a agência de notícias AFP.
Os poços da mina Al-Zaraa, perto da cidade de El-Nahud, em Kordofan Ocidental, começaram a desabar na terça-feira (15) e até o momento foram recuperados 60 corpos. As operações de resgate aconteceram durante toda a noite e contaram com ajuda de outros operários, que utilizaram as mesmas ferramentas de trabalho para retirar as rochas.
"Todo mundo está trabalhando muito duro para recuperar os corpos ou encontrar sobreviventes, mas é difícil. Precisamos de máquinas pesadas para retirar as rochas e a terra", afirmou Sayyed Jabara.
Al-Amin Suleiman, mineiro que trabalhava na terça-feira perto de Al-Zaraa, disse em entrevista à AFP que os poços ficam muito próximos um do outro. Se um desaba, derruba todos os que estão ao lado.
O trabalhador ainda lamentou: "Ainda há pessoas soterradas. Não acredito que estejam vivas".
Contexto político
As minas de ouro financiam o esforço bélico das partes envolvidas na guerra entre o Exército sudanês e as paramilitares Forças de Apoio Rápido (FAR) desde abril de 2023.
O conflito já devastou a frágil economia do Sudão e deixou grande parte do país sem trabalho. Além de empurrar muitos para uma perigosa corrida do ouro.
A maior parte do ouro extraído é originada da mineração artesanal e em pequena escala, executada em minas abandonadas ou em áreas não oficiais como Al-Zaraa.
Mariane Castro é estudante de jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais. Tem interesse nas áreas de cultura e pesquisa em jogos digitais e já atuou na Assessoria de Imprensa da UFMG. Atualmente, é estagiária de Minas, Brasil e Mundo na Rádio Itatiaia.



