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Ataque contra hospital no Sudão deixa 64 mortos, divulga OMS

Entre as vítimas, 13 são crianças; outras 89 pessoas ficaram feridas no bombardeio que atingiu a capital do país africano

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Diretor-geral da OMS publicou fotos do hospital atingido • Reprodução / @DrTedros

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou que um ataque contra um hospital na capital do Sudão deixou 64 mortos, entre eles 13 crianças, e 89 feridos. O anúncio foi divulgado em uma rede social, no último sábado (21), e pede o fim da guerra que atinge o país africano há quase três anos.

"A OMS verificou mais um ataque contra a assistência à saúde no Sudão. Desta vez, o Hospital de Ensino El-Daein, na capital de Darfur Oriental, El-Daein, foi atacado, matando ao menos 64 pessoas, incluindo 13 crianças, duas enfermeiras, um médico e vários pacientes", disse o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

O ataque, que ocorreu na sexta-feira (20), também deixou 89 pessoas feridas, "entre elas oito trabalhadores da saúde, e danificou os departamentos de pediatria, maternidade e emergência do hospital", acrescentou Ghebreyesus, afirmando que a unidade teve os serviços médicos essenciais interrompidos.

O grupo sudanês de direitos humanos, Emergency Lawyers, que documenta a guerra entre o exército do Sudão e os paramilitares das Forças de Apoio Rápido (FAR), informou que foi um ataque do exército que atingiu o Hospital de Ensino El-Daein.

"Dois drones do exército bombardearam" este hospital universitário, onde eram atendidos milhares de pacientes da região, explicou a Emergency Lawyers. As FAR dominam a região de Darfur, no oeste do Sudão, enquanto o exército sudanês controla o leste, o centro e o sul do país africano.

O exército do Sudão afirmou em um comunicado que "respeita as normas e o direito internacional" e, sem acusar diretamente as FAR pelo ataque, destacou que este tipo de ato é "uma prática persistente e uma atividade cotidiana" dos paramilitares.

Guerra no Sudão

A guerra atinge o Sudão desde abril de 2023 e deixou dezenas de milhares de mortos e milhões de deslocados, provocando o que a Organização das Nações Unidas (ONU) classifica como "a prior crise humanitária do mundo".

El-Daein, sob controle das FAR, tem sido alvo frequente de ataques do exército sudanês, que tenta repelir os paramilitares em Darfur e afastá-los do corredor central do Sudão. Os hospitais sudaneses têm sido atacados regularmente ao longo da guerra no país africano. 

Depois do último ataque, na sexta (20), o número de pessoas mortas no ataque contra instalações de saúde chegou a 2.036, em 213 ações, segundo o Sistema de Vigilância de Ataques à Saúde (SSA) da OMS.

A região de Darfur, que está entre o Sudão do Sul, a República Centro-Africana e Chade, está hoje, praticamente inacessível a qualquer tipo de ajuda. Grande parte da região é controlada pelos paramilitares, enquanto o exército controla o Leste, o Centro e o Norte do Sudão.

Ignorando os apelos de cessar-fogo, ambos os lados intensificaram, nos últimos meses, os ataques aéreos e terrestres no centro, no Sul e no Leste do país. O Oeste de Darfur também é frequentemente atingida, onde um ataque com drones deixou 17 mortos na última quarta (18). O exército e as FAR acusaram um ao outro por esse ataque.

"Já foi derramado sangue suficiente. Já foi infligido sofrimento suficiente. É hora de apaziguar o conflito no Sudão e garantir a proteção dos civis, do pessoal da saúde e dos trabalhadores humanitários", implorou o diretor da OMS.

*Com AFP

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

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