Terremotos na Venezuela: número de mortos sobe para 5.069, divulga governo
Estimativa de feridos permanece com 16.740, enquanto 17.907 pessoas continuam desabrigadas; equipes de resgate, locais e estrangeiras seguem trabalhando para tentar recuperar corpos soterrados

O número de mortos em decorrência dos terremotos que atingiram a Venezuela, há três semanas, passou para 5.069. A atualização foi divulgada pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, nesta sexta-feira (17).
A estimativa de feridos permanece com 16.740, enquanto 17.907 pessoas continuam desabrigadas. De acordo com o governo, mais de 850 edifícios foram danificados e 190 ruíram por completo. Equipes de resgate, locais e estrangeiras, seguem trabalhando para tentar recuperar corpos soterrados.
Os terremotos afetaram Caracas e, principalmente, o estado vizinho de La Guaira, onde acampamentos de famílias desabrigadas se espalhavam por estádios, praças e calçadas. Voluntários venezuelanos e estrangeiros prestavam atendimento médico em unidades instaladas em áreas abertas e distribuíam alimentos.
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Os reflexos da tragédia estão longe de terminar. Passada a fase de emergência, o país terá o desafio da reconstrução. Será preciso erguer novamente os prédios que desabaram, além de recuperar estradas e outras infraestruturas danificadas ou destruídas pelo o pior desastre da história recente de Venezuela.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) estimou os danos físicos diretos em US$ 6,7 bilhões (cerca de R$ 36,2 bilhões). Com base em imagens de satélite, o órgão calculou a quantidade de estruturas nas áreas atingidas pelos terremotos e ressaltou que a estimativa pode cair para US$ 4,7 bilhões (cerca de R$ 25,4 bilhões) ou subir para US$ 8,7 bilhões (aproximadamente R$47 bilhões), principalmente em razão das perdas em moradias e outros bens.
Caso a estimativa de US$6,7 bilhões se confirme, ela equivaleria a aproximadamente 6% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país) da Venezuela, ainda segundo o Pnud.
Sobrevivente conta que irmão e tia morreram de mãos dadas
"Fiquei dois dias embaixo dos escombros e só conseguia lembrar desta imagem: meu irmão e minha tia de mãos dadas. Essa imagem me manteve viva. Não fiquei preocupada comigo, de verdade, todo tempo fiquei tranquila com as minhas orações. Estava preocupada com meus familiares", contou Andrea Canônico, de 23 anos. A estudante, moradora de La Guaira, na Venezuela, sobreviveu aos terremotos que atingiram o país em 24 de junho, mas perdeu familiares.
Andrea relatou à Itatiaia que, no dia da catástrofe, estava em casa com a família. Em determinado momento, a tia dela, de 91 anos, gritou, e o irmão da jovem foi socorrê-la. Quando ele alcançou a idosa, tudo desabou, conforme relatou a estudante. Andrea se agarrou ao gesto de união dos familiares para se manter viva.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.
Mineiro de Urucânia, na Zona da Mata. Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Ouro Preto (2024), mesma instituição onde diplomou-se jornalista (2013). Na Itatiaia desde 2016, faz reportagens diversas, com destaque para Política e Cidades.




