Sobrevivente de terremotos na Venezuela conta que irmão e tia morreram de mãos dadas
Andrea Canônico, de 23 anos, estava em casa, em La Guaira, no dia da catástrofe

“Fiquei dois dias embaixo dos escombros e só conseguia lembrar desta imagem: meu irmão e minha tia de mãos dadas. Essa imagem me manteve viva. Não fiquei preocupada comigo, de verdade, todo tempo fiquei tranquila com as minhas orações. Estava preocupada com meus familiares”, contou Andrea Canônico, de 23 anos. A estudante, moradora de La Guaira, na Venezuela, sobreviveu aos terremotos que atingiram o país em 24 de junho, mas perdeu familiares.
Andrea relatou à Itatiaia que, no dia da catástrofe, estava em casa com a família. Em determinado momento, a tia dela, de 91 anos, gritou, e o irmão da jovem foi socorrê-la. Quando ele alcançou a idosa, tudo desabou, conforme relatou a estudante. Andrea se agarrou ao gesto de união dos familiares para se manter viva.
Manoel Alves, de 57, conta que se agarrou a Deus para sobreviver. “Me abracei à minha medalha de Jesus com bastante fé. Fechei os olhos e esperei, senti que muitas pedras me caíam na cabeça e, graças a Deus, quando eu abri os olhos, foi a oportunidade de ter um espaço, uma fresta onde eu vi a luz. E aí eu saí e consegui sair”, relatou.
Depois, ele e a esposa conseguiram pegar um ônibus para ir para Caracas. “Muitas pessoas subiram no ônibus assustadas querendo sair daqui e até um cachorrinho também subiu no ônibus e [nos] acompanhou. Muitas pessoas não queriam deixar o cachorro lá dentro, mas eu disse ‘ele também tem chance de sobreviver, também merece sobreviver’. Então as pessoas deixaram o cachorro e nós seguimos de ônibus para Caracas”, contou Manoel Alves.
Mineiro de Urucânia, na Zona da Mata. Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Ouro Preto (2024), mesma instituição onde diplomou-se jornalista (2013). Na Itatiaia desde 2016, faz reportagens diversas, com destaque para Política e Cidades.



