Qualquer acordo com o Irã 'será um fracasso', afirma filho de xá deposto
Reza Pahlavi declarou que a comunidade internacional deveria apoiar os manifestantes antigoverno, em vez de fazer as pezes com Teerã

Reza Pahlavi, de 65 anos — filho de Mohammad Reza Pahlavi, xá deposto após a Revolução Islâmica em 1979 — se manifestou, nesta terça-feira (16), contra qualquer acordo com o Irã que permita o atual governo islâmico permaneça no poder. A declaração acontece no momento em que Washington e Teerã se preparam para assinar oficialmente um memorando de entendimento
Após se reunir com parlamentares britânicos durante uma visita a Londres, Reza Pahlavi declarou que a comunidade internacional deveria apoiar os manifestantes antigoverno, em vez de fazer as pezes com o Irã.
"Tentar negociar com esse regime será um fracasso e todos sofreremos as consequências", escreveu nas redes sociais. "A guerra de 47 anos do regime contra o povo iraniano continua. Assim como nunca fez as pazes com seus próprios cidadãos, nunca fará as pazes de verdade com o mundo", acrescentou.
O pai dele, Mohammad Reza Pahlavi, foi o último xá do Irã. Após a Revolução Islâmica que derrubou a monarquia, ele se exilou em 1979 e morreu pouco depois. "Qualquer acordo que mantenha esse regime ou o que restar dele será um fracasso. O povo iraniano não o aceitará", advertiu Pahlavi. "Com ou sem apoio internacional, o povo do Irã derrubará esse regime. A liberdade chegará ao Irã", afirmou.
Acordo entre Estados Unidos e Irã
Os Estados Unidos e o Irã anunciaram que chegaram a um acordo de paz no domingo (14). A informação, incialmente, foi divulgada pelo primeiro-ministro do Paquistão Shehbaz Sharif — país intermediador durante as negociações de cessar-fogo. O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, viajou até o Paquistão para uma reunião com Shehbaz Sharif no fim de semana.
O memorando de entendimento entre Washington e Teerã foi assinado eletronicamente na segunda-feira (15), pelo presidente dos EUA, Donald Trump, o vice-presidente JD Vance e o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf.
Mesmo após o anúncio do acordo e a assinatura eletrônia, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian é cauteloso e afirmou que um acordo final ainda não foi concluído. "O acordo alcançado é um passo significativo para interromper a guerra e iniciar as negociações, e um acordo final ainda não foi formalizado", escreveu.
Autoridades dos EUA e do Irã devem se reúnir em Genebra, na Suíça, nesta sexta-feira (19) para iniciar as negociações detalhadas, abrindo um prazo de 60 dias para discussões técnicas e complexas para pôr fim à guerra no Oriente Médio. Veja detalhes sobre o que se sabe sobre o acordo entre os países aqui.
Estados Unidos e Irã estavam em guerra desde o dia 28 de fevereiro, data em que marca o início dos ataques comandados pelos Estados Unidos, com apoio de Israel, contra o Irã. Washington e Teerã estavam sob um frágil acordo de cessar-fogo, assinado em 8 de abril.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



