Protestos na França: 70 mil agentes de segurança serão mobilizados para conter manifestações, diz ministro
Laurent Nunez afirmou, em coletiva de imprensa, que apelos à violência e a saques já circulam nas redes sociais; manifestantes voltaram às ruas de Paris na quinta-feira (22) e novos atos estão previstos para o fim de semana

O ministro do Interior da França, Laurent Nunez, afirmou, nesta sexta-feira (23), que o país mobilizará aproximadamente 70 mil agentes de segurança para as novas manifestações previstas para este fim de semana. Ele alertou que apelos à violência e saques circulam nas redes sociais.
A França tem enfrentado uma enorme mobilização e onda de manifestações há pouco mais de um mês. Os protestos começaram pelo movimento estudantil, por melhores condições nos colégios espalhados pelo país. Em seguida, as manifestações ganharam apoio de sindicatos contra a alta no custo de vida e no preço dos combustíveis.
Em coletiva de imprensa, Nunez atribuiu as declarações supostas sobre violência e saques à extrema-esquerda e extrema-esquerda radical. De acordo com o ministro, o efetivo mobilizado vai incluir unidades policiais de elite, cerca de 20 veículos blindados e 15 veículos com canhões de água.
Na quinta-feira (22), milhares de pessoas foram às raus de Paris, após cidades francesas terem proibido protestos considerados ilegítimos no país. A justificativa do governo de Emmanuel Macron é de que a mobilização do último fim de semana, quando mais de 500 mil pessoas participaram de atos, se transformou em confrontos e saques.
Mais de 2 mil pessoas foram presas desde o último sábado em razão das manifestações e das invasões de estabelecimentos comerciais, segundo o ministro da Justiça francês, Gerald Darmanin. Novas proibições são esperadas para os próximos dias.
Macron disse que as medidas têm como objetivo proteger os centros das cidades, os estabelecimentos comerciais e os prédios públicos. O presidente atribuiu, ainda, a violência do fim de semana a ações de grupos de extrema-esquerda radcial que, segundo ele, pretendiam derrubar a República.
O direito à manifestação é protegido pela Constituição francesa. Grupos de estudantes afirmaram que continuarão mobilizados.
França reforça segurança para novos protestos
As manifestações de quinta-feira (22) foram vistas como uma preparação para um grande ato no sábado (24). A expectativa é que ativistas da Confederação Geral do Trabalho (CGT), se juntem ao movimento dos coletes amarelos, que organizaram protestos contra os preços dos combustíveis em 2018 e 2019.
Em resposta, autoridades locais informaram que também pretendem proibir algumas manifestações em Lyon, Marselha e Montpellier.
Na última quarta-feira (21), o primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, se reuniu com representantes sindicais e afirmou que uma operação de segurança de grandes proporções será organizada para sábado (24). Os representantes dos sindicatos disseram que a reunião não resultou em propostas concretas.
Outra jornada de mobilização está prevista para 5 de novembro. Os representantes sidicais convocaram trabalhadores dos setores público e privado a participar.
O que está acontecendo na França?
A onda inicial dos protestos na França começou no dia 17 de setembro, em escolas de ensino médio nos arredores de Paris, ganhando rapidamente o apoio de professores, sindicatos e outros setores sociais.
Os alunos se manifestaram contra a falta crônica de professores, a ausência de substitutos, turmas superlotadas e a precariedade da infraestrutura das escolas públicas (como problemas de manutenção e falta de recursos). Rapidamente os atos foram marcados por forte repressão policial:
- Um estudante de 15 anos perdeu a mão em Lens, no Norte do país, após pegar uma granada de efeito moral, de agentes de segurança, que explodiu logo em seguida.
- O prefeito de Saint-Denis, Bally Bagyoko, foi atingido por gás de pimenta ao tentar proteger estudantes da polícia.
Em resposta, o governo liderado por Emmanuel Macron alega dificuldades para ampliar gastos em meio a um forte déficit público que ultrapassa 5% do PIB e uma dívida acumulada de trilhões de euros, priorizando cortes e outras frentes.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



