Presidentes e autoridades globais reagem às mortes em manifestações no Irã

Onda de protestos toma os holofotes globais e gera reações diversas entre representantes nacionais

Líderes globais se manifestaram sobre os protestos

Autoridades ao redor do globo centralizaram as atenções às manifestações contra o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, que tomam o país pela terceira semana e geraram milhares de mortos e feridos. A onda de protestos denuncia o alto custo de vida no local e representa o maior desafio interno para as autoridades iranianas em pelo menos três anos, desde que o novo representante assumiu o governo.

Diversas figuras do governo iraniano reconheceram as queixas dos manifestantes acerca da violência e repressão nos protestos, mas tentaram criar uma distinção entre as pessoas envolvidas nos protestos. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou existirem pessoas motivadas por dificuldades econômicas e pelo aumento do custo de vida e o que descreveram como “arruaceiros” que buscam “semear a discórdia”.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, prometeu buscar resolução para as queixas econômicas e afirmou no último domingo (11) que o governo está “pronto para ouvir seu povo”. Ao mesmo tempo, acusou os Estados Unidos e Israel de tentarem “semear o caos e a desordem” ao direcionar elementos dos distúrbios perante as ameaças de intervenção que o país americano fez ao Estado iraniano.

Estados Unidos e Reino Unido falam sobre intervenção

No domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse não se opor a “opções fortes”, que podem incluir intervenções no Irã, durante a forte onda de manifestações que tomam o país.

Durante o dia, afirmou também que o Irã entrou em contato com representantes americanos e propôs negociações sobre as ameaças. O presidente disse estar aberto ao diálogo, mas que pode precisar “agir antes” caso a onda de violência siga em alta.

Em uma postagem no Truth Social, rede social criada pelo grupo de empresas de Trump, ele disse: “O Irã está vislumbrando a liberdade, talvez como nunca antes. Os EUA estão prontos para ajudar”.

No Reino Unido, o secretário de Estado de Negócios, Energia e Estratégia Industrial, Peter Kyle, disse que uma ação militar no Irã tem “muitos ‘e se”. A líder da oposição, Kemi Badenoch, disse à BBC que perante a situação, acha válida uma intervenção. “Considerando a ameaça que estamos vendo para a população, acho que seria a decisão correta”, afirmou.

China mantém posição próxima do Irã

O governo chinês adotou uma postura mais próxima a do Irã e expressou oposição à “interferência externa nos assuntos internos de outros países”. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores acrescentou que “a soberania e a segurança de todas as nações devem ser plenamente protegidas pelo direito internacional”.

Catar tenta agir como mediador

O Catar tenta agir como um mediador perante as crescentes ameaças de guerra que correm entre os Estados Unidos e o Irã. “Há expectativas de que a tensão atual leve a uma escalada na região, e estamos tentando reduzir a tensão”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari, em uma coletiva de imprensa em Doha.

Israel apoia manifestantes iranianos

País que mantém tensões históricas com o Irã, Israel apoiou fortemente os manifestantes, com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, elogiando o “tremendo heroísmo dos cidadãos do Irã" durante uma reunião de gabinete.

O exército israelense declarou separadamente que os protestos são internos, mas que está “equipado para responder com força, se necessário”.

Alemanha enxerga fim para o regime do Irã

O chanceler alemão, Friedrich Merz, disse à jornalistas durante viagem na Índia que enxerga a República Islâmica próxima ao fim pelo comportamento de seu líder. Segundo ele, quando “um regime só consegue se manter no poder por meio da violência, então ele está efetivamente acabado”.

(Sob supervisão de Alex Araújo)

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Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.

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