Belo Horizonte
Itatiaia

Partido de Sánchez contesta eleições no Peru, rejeita resultado e convoca protestos em Lima

Com 99,05% dos votos apurados Keiko Fujimori, lidera a corrida à Presidência com 33 mil votos de vantagem; órgão eleitoral ainda não declarou um vencedor oficialmente

Por
Candidato à Presidência do Peru Roberto Sánchez
Candidato à Presidência do Peru Roberto Sánchez • Reprodução/El Peruano

Após pedir a anulação dos votos no exterior, o partido Juntos pelo Peru, do candidato Roberto Sánchez, divulgou que não respeitará o resultado final das eleições presidenciais por "falta de transparência". A sigla ainda convocou uma manifestação em Lima, capital do país, para quarta-feira (17), e disse planejar outros atos ao longo da semana.

Com 99,05% dos votos apurados, a candidata do Força Popular, Keiko Fujimori, lidera a corrida à Presidência — com 33 mil votos de vantagem ou 0,2 ponto percentual. Entretanto, o órgão eleitoral do Peru ainda não declarou um vencedor oficialmente.

O Juntos pelo Peru afirmou à imprensa local que o protesto é motivado pela deslegitimação do voto dos cidadãos e afirmou que não respeitaria o resultado oficial pois acredita que ele "não reflete a vontade popular com absoluta transparência".

Na última sexta-feira (12), Sánchez fez um apelo nas redes sociais, pedindo a revisão e recontagem de "todas as atas que a legislação permita revisar", devida à pouca diferença de votos recebidos por ele e Fujimori.

Recontagem de votos

Um fator pode ser determinante para o resultado das eleições presidenciais no Peru: a recontagem de votos. O Jurado Nacional de Eleições, órgão responsável pela contabilização de votos, divulgou, na última semana, que aproximadamente mil atas — documentos com relatório de votos por cada mesa eleitoral — precisarão passar por nova contagem.

A quantidade, comparada ao total de votos no Peru (no total, há 92.700 atas no sistema eleitoral peruano) é pequena. Mas, a disputa na apuração é tão acirrada, que as atas revisadas podem redefinir o resultado.

As recontagens podem ser feitas por diferentes fatores, como:

  • O número de cédulas eleitorais não correspondente ao de eleitores daquela mesa eleitoral;
  • Quando há divergência no número de votos do boletim da ata e da urna correspondente;
  • Quando os partidos concorrentes contestam o resultado da ata e a mesa eleitoral aceita a contestação.

Anulação de votos no exterior

Mais cedo nesta segunda (16), o Juntos pelo Peru entrou com uma ação judicial contra as autoridades eleitorais exigindo a anulação de todos os votos no exterior, protocolada no Superior Tribunal de Justiça de Lima, pelo advogado Walter Ayala, porta-voz do partido.

O documento foi compartilhado com a CNN, que divulgou um trecho do texto solicitando a anulação de "todo o processo eleitoral realizado no exterior" no segundo turno das eleições, realizado em 7 de junho. A medida inclui "a instalação, votação, contagem e apuração dos votos em todas as seções eleitorais" fora do Peru.

O processo indica que uma resolução de maio, que alterou a forma como as cédulas são processadas — deixando de ser digitalizadas nos consulados e passando a ser enviadas fisicamente a Lima em malas diplomáticas para serem contadas na capital — foi emitida em "flagrante violação do princípio da inviolabilidade eleitoral".

Ainda segundo a ação judicial, a mudança nas regras viola "os princípios da segurança jurídica, previsibilidade, cadeia de custódia, devido processo eleitoral, legalidade e imparcialidade". Por outro lado, o Ministério das Relações Exteriores do Peru afirmou, anteriormente, ter mantido uma "rigorosa cadeia de custódia" dos materiais eleitorais provenientes de 119 repartições consulares.

Por

Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.