Papa Leão XIV pede respeito à soberania da Venezuela após prisão de Maduro
O papa Leão XIV, que também é norte-americano, expressou “grande preocupação” com os acontecimentos atuais na Venezuela

O papa Leão XIV defendeu o bem do povo venezuelano durante o Angelus na manhã deste domingo (4) e pediu que seja garantida a soberania da Venezuela e também o respeito aos direitos humanos e civis do país.
A Venezuela foi bombardeada neste sábado (3) pelas forças dos Estados Unidos, e o presidente do país, Nicolás Maduro, foi capturado e levado para Nova York. Moradores relataram tremores, explosões e apagões em Caracas, capital do país.
O papa Leão XIV, que também é norte-americano, expressou "grande preocupação" com os acontecimentos atuais na Venezuela.
"O bem do amado povo venezuelano deve prevaler sobre todas as outras considerações e levar a superar a violência e percorrer caminhos de justiça e paz garantindo a soberania do país, assegurando o Estado de Direito inscrito na Constituição, respeitando os direitos humanos e civis de cada um e de todos, e trabalhando para construir juntos um futuro sereno de colaboração, estabilidade e concórdia, com especial atenção aos mais pobres que sofrem devido à difícil situação econômica", disse o pontífice.
Veja o discurso na íntegra:
"Com grande preocupação, acompanho os desdobramentos da situação na Venezuela. O bem do amado povo venezuelano deve prevaler sobre todas as outras considerações e levar a superar a violência e percorrer caminhos de justiça e paz, garantindo a soberania do país, assegurando o Estado de Direito inscrito na Constituição, respeitando os direitos humanos e civis de cada um e de todos, e trabalhando para construir juntos um futuro sereno de colaboração, estabilidade e concórdia, com especial atenção aos mais pobres que sofrem devido à difícil situação econômica. Por isso rezo e convido-os a rezar, confiando nossa oração à intercessão de Nossa Senhora de Coromoto e dos Santos José Gregorio Hernández e Irmã Carmen Rendiles".
Veja o vídeo:
Prisão de Maduro
A operação dos Estados Unidos que acabou com a prisão de Maduro na Venezuela ocorreu após meses de tensão entre os dois países. As Forças Armadas dos Estados Unidos ocupavam o mar do caribe com uma intensa mobilização de tropas, incluindo o maior porta-aviões do mundo e dezenas de caças. Até então, as ações estavam concentradas em atacar barcos que, supostamente, seriam do narcotráfico. Maduro foi capturado em 47 segundos.
Trump afirmou que os EUA vão governar a Venezuela até que haja uma transição democrática no país. Ele também ressaltou o interesse nas reservas de petróleo, e afirmou que empresas americanas vão voltar a operar em território venezuelano. Atualmente, a petrolífera americana Chevron já opera com autorização especial, mas empresas como Exxon Mobil foram expropriadas do país.
Sem Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez assume interinamente o país. Em pronunciamento, ela afirmou que a Venezuela vai se defender da ofensiva americana e que “jamais será colônia de nenhuma nação”. “Nós estamos prontos para defender a Venezuela, nós estamos prontos para defender nossos recursos naturais, que devem ser para o desenvolvimento nacional”, disse.
Maduro foi levado de avião a Nova York, onde chegou na noite deste sábado (3) sob forte escolta militar. Em Nova York, Maduro deve ser levado para um centro de detenção onde vai aguardar julgamento em um Tribunal Federal. Segundo a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, o venezuelano é acusado de 20 crimes, incluindo narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas. A primeira audiência deve ocorrer já na segunda-feira (5).
O Conselho de Segurança da ONU se reúne nesta segunda (5) para debater as ações dos EUA na Venezuela.
Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.



