Oriente Médio: saiba quais embarcações poderão passar pelo Estreito de Ormuz
Permissão abrange embarcações com produtos como alimentos básicos; Iraque tem o trânsito liberado na passagem marítima

O Irã anunciou, neste sábado (4), que permitirá passagem de navios com "bens essenciais" pelo Estreito de Ormuz, atualmente bloqueado. A informação foi divulgada pela agência estatal Tasnim.
Em documento enviado ao chefe da Organização de Portos e Assuntos Marítimos, Houman Fathi, o vice de desenvolvimento comercial do órgão apontou que a permissão vale para "navios que transportam bens essenciais — principalmente alimentos básicos e insumos para criação de animais — pelo Estreito de Ormuz". Ainda não se se embarcações de países considerados "hostis" continuarão impedidas de transitar pela passagem marítima.
Segundo o funcionário, a medida vale para navios que se dirigem a portos iranianos ou que já operam na região. “As autoridades competentes devem tomar as providências necessárias, seguindo os protocolos estabelecidos, para garantir a travessia dessas embarcações”, acrescentou.
Iraque terá trânsito liberado, enquanto EUA ameaçam o Irã
O comando militar conjunto Khatam al-Anbiya do Irã afirmou que o Iraque terá o trânsito liberado pelo Estreito de Ormuz, sinalizando tratamento preferencial para Bagdá. A informação também foi divulgada pela agência estatal, neste sábado (4).
Em contrapardia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar intensificar ações contra Teerã, caso o país não consiga fechar um acordo ou liberaro Estreito de Ormuz.
“Lembram quando dei ao Irã dez dias para FAZER UM ACORDO ou ABRIR O ESTREITO DE ORMUZ? O tempo está se esgotando — 48 horas antes de todo o inferno se abater sobre eles. Glória a Deus!”, publicou Trump na rede social Truth Social.
O que é o Estreito de Ormuz?
O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo, que está praticamente paralisado pela guerra no Oriente Médio.
O conflito começou em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel começaram a bomberdear o Irã. O país persa, em represália, ataca bases militares norte-americanas na região, instalações israelenses e restringe o acesso ao Estreito de Ormuz. A via é o caminho de escoamento para 20% do Gás Natural Liquefeito (GNL) negociado no planeta. Além disso, cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto transitam, em condições normais, pela passagem diariamente
O fechamento do Estreito de Ormuz afeta diretamente a economia mundial, visto que a maioria do fluxo atual está impedida de transitar no local. Nos Estados Unidos, por exemplo, o preço da gasolina chegou a US$ 3,72 por galão, em média, de acordo com a Associação Automobilística Americana (em inglês: American Automobile Association). Este é o preço mais alto do combustível comum desde 7 de outubro de 2023.
Além do prejuízo econômico, o fechamento do Estreito de Ormuz trouxe consequências no transporte marítimo e ataques contra embarcações, com desaparecimentos, feridos e mortes.

Entenda o conflito no Oriente Médio
Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear. Desde então mais de duas mil pessoas morreram. Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.
Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
Um aspecto importante do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.
Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em março. Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".
*Com AFP e CNN Internacional
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



