Oriente Médio: ministro de Israel chama guerra contra o Irã de 'benção'
Membro do gabinete de segurança não prevê cessar-fogo; EUA também afirmam que não há 'prazo' para fim do conflito

O vice-ministro de Israel e membro do partido de direita Likud, Zeev Elkin, afirmou, nesta quinta-feira (19), que os ataques comandados pelo país e pelos Estados Unidos contra o Irã são "uma benção imensa" para o Estado hebreu.
A declaração foi divulgada em uma entrevista à rádio do exército de Israel. "O debate não deveria ser sobre quando (a guerra) vai terminar, e sim sobre como vamos prolongar e aprofundar o dano causado", disse Elkin. "Cada dia da campanha é uma bênção imensa para o Estado de Israel", acrescentou.
Ele integra o gabinete de segurança responsável por aprovar operações militares em larga escala, como a guerra no Oriente Médio que acontece há pouco mais de três semanas.
Cessar-fogo é improvável
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou, também nesta quinta-feira, que não há um "prazo definitivo" para o fim da guerra contra o Irã. "Em última instância, será o presidente quem decidirá quando vamos dizer: 'Ok, cumprimos o que precisávamos'", declarou à imprensa.
Entenda o conflito no Oriente Médio
Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear. Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.
Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque. Dias depois, em dois de março, o exército israelense também realizou ofensivas no Líbano, com bombardeios na Região Sul de Beirute. Logo depois, o país iniciou operações terrestres, sob a justificativas que os ataques são "limitadas e seletivas contra redutos-chave" do Hezbollah na região.
Um aspecto importante do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.
Recém-completadas três semanas de guerra, o Oriente Médio registrou mais de duas mil mortes. O Irã é o país com mais número de vítimas, contabilizando mais de 1.300 mortes segundo o embaixador do país nas Nações Unidas. Outros países também são alvos de bombardeios e ataques, como a Arábia Saudita com duas vítimas, Bahrein (2), Emirados Árabes Unidos (6), EUA (13), Iraque (32), Israel (15), Kuwait (6), Líbano (1.001), Omã (3).
Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em uma coletiva de imprensa nessa terça-feira (17). Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".
*Com AFP
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



