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Oriente Médio: fonte do Irã sinaliza possibilidade de negociar com os EUA

País persa busca um acordo que encerre de vez a guerra e retire sanções impostas pelos Estados Unidos

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Israel e Irã em guerra e ataque em Teerã
Irã é atacado pelos EUA e Israel há quase um mês • AFP

Uma fonte do Irã afirmou, nesta terça-feira (24), que o país persa está disposto a avaliar propostar para encerrar a guerra que atinge o Oriente Médio desde o dia 28 de fevereiro. A informação foi obtida pela CNN.

"Nos últimos dias, houve contatos entre os Estados Unidos e o Irã, iniciados por Washington, mas nada que tenha chegado ao nível de negociações formais", afirmou a fonte. "Mensagens foram transmitidas por diferentes intermediários para avaliar a possibilidade de se alcançar um acordo que encerre o conflito", acrescentou.

A fonte teria evitado comentar sobre as declarações divulgadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ela, ainda, destacou que a posição do Irã sempre foi clara ao afirmar que Teerã está disposto a considerar qualquer proposta de cessar-fogo que seja viável.

“O Irã não está solicitando uma reunião nem negociações diretas com os EUA, mas está disposto a ouvir caso surja um plano para um acordo duradouro que preserve os interesses nacionais da República Islâmica”, disse.

As propostas esperadas pelo Irã não buscam apenas um cessar-fogo, mas um acordo concreto para encerrar de vez a guerra entre os dois países. Em relação à armas nucleares - um dos motivadores do conflito, de acordo com os Estados Unidos - a fonte afirmou que o país está pronto para oferecer garantias de que não desenvolverá o armamento. Porém, destacou que o Irã tem direito ao uso pacífico da tecnologia.

Por fim, a fonte afirmou que uma proposta só será aceita se, também, incluir o fim de todas as sanções impostas ao Irã.

Entenda o conflito no Oriente Médio

Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear. Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.

Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque. Dias depois, em dois de março, o exército israelense também realizou ofensivas no Líbano, com bombardeios na Região Sul de Beirute. Logo depois, o país iniciou operações terrestres, sob a justificativas que os ataques são "limitadas e seletivas contra redutos-chave" do Hezbollah na região.

Um aspecto importante do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.

Recém-completadas três semanas de guerra, o Oriente Médio registrou mais de duas mil mortes. O Irã é o país com mais número de vítimas, contabilizando mais de 1.300 mortes segundo o embaixador do país nas Nações Unidas. Outros países também são alvos de bombardeios e ataques, como a Arábia Saudita com duas vítimas, Bahrein (2), Emirados Árabes Unidos (6), EUA (13), Iraque (32), Israel (15), Kuwait (6), Líbano (1.001), Omã (3).

Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em uma coletiva de imprensa nessa terça-feira (17). Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.