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Oriente Médio: EUA pressionam países para formar coalizão no Estreito de Ormuz

Governo de Donald Trump pressiona países para se juntar em busca da 'liberdade de navegação' na passagem marítima; região tem sido alvo de tensão no conflito do Oriente Médio

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NASA | AFP

Os Estados Unidos pressionam outros países a se juntar em uma nova coalização que busca a "liberdade de navegação no Estreito de Ormuz." A passagem marítima, classificada como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo, tem sido alvo de tensão no conflito do Oriente Médio — envolvendo os EUA, Israel e Irã.

A coalização proposta pelo governo de Donald Trump — nomeada "Maritime Freedom Construct” (Estrutura de Liberdade Marítima, em tradução livre) — tem como objetivo coordenar esforços políticos, incluindo alinhamento sobre sanções e compartilhamento de informações para ajudar na passagem segura pelo Estreito de Ormuz.

A passagem marítima é um dos principais obstáculos nas negociações diplomáticas sobre um acordo de cessar-fogo definitivo entre os Estados Unidos e Irã. Os dois países mantém bloqueios no local.

A proposta da coalização foi divulgada em um comunicado do Departamento de Estado dos EUA. O texto, enviado a missões diplomáticas de todo o mundo solicitou aos diplomatas que anunciassem a formação da nova coalização e "solicitassem a participação de parceiros" até sexta-feira (1°).

Segundo divulgado pelo Wall Street Journal, o comunicado orienta os diplomatas a não discutirem o assunto com "adversários dos EUA, incluindo Rússia, China, Belarus e Cuba". A coalização será liderada pelos Departamentos de Estado e Defesa, por meio do Comando Central dos EUA.

"O MFC tomará medidas para garantir a passagem segura, incluindo fornecimento de informações em tempo real, orientações de segurança e coordenação para garantir que as embarcações possam transitar por essas águas com segurança", dizia o comunicado, apontando que os diplomatas devem participar da coalização como uma forma de "fortalecer nossa capacidade coletiva de restaurar a liberdade de navegação e proteger a economia global."

Ao mesmo tempo, Donald Trump vem afirmando, reiteradamente, que os Estados Unidos não precisam de ajuda de outros países no Estreito de Ormuz. Mas, com falas contraditórias, o republicano também criticou países da Europa por não contribuírem com a segurança da passagem marítima.

O Reino Unido e a França iniciaram um esforço multilateral para garantir que a segurança no Estreito de Ormuz, indicando que, eventualmente, poderia envolver o envio de ativos militares para a via marítima, caso um acordo de trégua seja alcançado.

Um funcionário do Departamento de Estado disse à CNN Internacional que a coalização é para "complementar a outras forças-tarefas marítimas, incluindo o esforço de planejamento marítimo liderado pelo Reino Unido e França".

O que é o Estreito de Ormuz?

O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo, que está praticamente paralisado pela guerra no Oriente Médio.

O conflito começou em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel começaram a bombardear o Irã. O país persa, em represália, ataca bases militares norte-americanas na região, instalações israelenses e restringe o acesso ao Estreito de Ormuz. A via é o caminho de escoamento para 20% do Gás Natural Liquefeito (GNL) negociado no planeta. Além disso, cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto transitam, em condições normais, pela passagem diariamente

O fechamento do Estreito de Ormuz afeta diretamente a economia mundial, visto que a maioria do fluxo atual está impedida de transitar no local. Nos Estados Unidos, por exemplo, o preço da gasolina chegou a US$ 3,72 por galão, em média, de acordo com a Associação Automobilística Americana (em inglês: American Automobile Association). Este é o preço mais alto do combustível comum desde 7 de outubro de 2023.

Além do prejuízo econômico, o fechamento do Estreito de Ormuz trouxe consequências no transporte marítimo e ataques contra embarcações, com desaparecimentos, feridos e mortes.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.