Oficial do exército francês confirma que dezenas de soldados ucranianos desertaram durante treinamento
Deserção não é criminalizada na França; exército treinou em seu território 2.300 soldados ucranianos de brigada chamada “Ana de Kiev”

Um treinamento de soldados ucranianos na França terminou com dezenas de deserdados, informou, nesta segunda-feira (6), um alto oficial do Exército francês à AFP.
"Ainda é algo muito marginal, considerando a quantidade de pessoas que foram treinadas", indicou um dos responsáveis do Estado-Maior francês. "Estavam em quartéis franceses, tinham o direito de sair", disse.
O militar explicou que os soldados em treinamento estavam sob "um regime [...] imposto pelo comando ucraniano", e que na França a deserção não é criminalizada.
"Se alguém deserta, um promotor francês não tem autoridade para prender essa pessoa. E o direito concedido às autoridades ucranianas em território francês é exclusivamente um direito disciplinar."
O comando militar indicou que não tem números consolidados, mas estimou que ocorreram "dezenas" de deserções em território francês.
O Exército francês treinou em seu território 2.300 soldados ucranianos de uma brigada chamada "Ana de Kiev", em homenagem à princesa que nasceu na capital ucraniana e se casou com o rei francês do século XI, Henrique I.
A maioria dos soldados era formada por recrutas sem experiência de combate. Eles estavam acompanhados por 300 supervisores ucranianos.
Os outros 2.200 soldados da brigada foram treinados na Ucrânia.
O comandante das forças terrestres da Ucrânia admitiu nesta segunda-feira a existência de "problemas" com esta unidade do Exército, após relatos de que muitos de seus soldados haviam desertado.
A 155ª Brigada Mecanizada foi uma das várias unidades militares formadas no ano passado diante de possíveis novas ofensivas russas.
De acordo com o jornalista ucraniano Yuriy Butusov, cerca de 1.700 soldados da brigada desertaram, a maioria antes mesmo de sua unidade ser enviada para a linha de frente, e 50 durante o treinamento na França.
"Eu realmente não vejo o que poderia ser qualificado como abuso de poder", declarou o alto oficial militar francês.
"De qualquer forma, não foi revelado nada sobre os ucranianos destacados na França ou sobre o que pode ter ocorrido durante esses treinamentos", acrescentou.
O alto oficial destacou que o treinamento ocorreu "conforme" os desejos dos ucranianos em termos de "equipamento, tempo de formação e nível".
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