EUA celebram 250 anos da Independência sob forte polarização e protagonismo de Trump
Presidente transformou as comemorações em um grande ato patriótico, enquanto críticas ao clima político marcaram o aniversário da Declaração de Independência


Os Estados Unidos celebraram neste sábado (4) os 250 anos da assinatura da Declaração de Independência em um cenário marcado por forte polarização política. As comemorações ocorreram em diversas cidades do país, com desfiles, shows, cerimônias oficiais e queima de fogos, enquanto o presidente Donald Trump liderou os principais eventos em Washington.
Na capital americana, as festividades coincidiram com uma intensa onda de calor. As temperaturas ultrapassaram os 38°C e a sensação térmica chegou a cerca de 43°C, levando ao cancelamento do tradicional desfile realizado na manhã do Dia da Independência. Apesar do clima, Trump manteve a programação prevista. O presidente participou de um grande evento no National Mall, com apresentações de bandas militares, sobrevoo de aeronaves e um espetáculo de fogos de artifício anunciado pela Casa Branca como um dos maiores da história do país.
Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que a multidão em Washington era "incrível", apesar das altas temperaturas. As celebrações, porém, também evidenciaram as divisões políticas que marcam o país. Durante a manhã, um grupo de homens mascarados marchou pelas ruas de Washington carregando bandeiras confederadas e símbolos do movimento supremacista Patriot Front, enquanto entoavam palavras de ordem nacionalistas.
Na véspera das comemorações, durante discurso no Monte Rushmore, Trump afirmou que a identidade americana enfrenta uma "nova ofensiva" promovida por "radicais e extremistas". No mesmo tom, o vice-presidente JD Vance criticou, em discurso realizado em Nova York, aqueles que, segundo ele, enfatizam apenas as "imperfeições" dos Estados Unidos.
Enquanto isso, parte da população demonstrou desconforto com o caráter político das celebrações. O professor Patrick Thompson, morador de Alexandria, afirmou que preferiu não levar os filhos às cerimônias oficiais em Washington. "É ótimo viver este 250º aniversário, mas por que isso precisa ter a marca de Trump?", questionou.
Rajesh Mirchandani, naturalizado americano neste ano, disse que enxerga os Estados Unidos como um país construído pela colaboração entre pessoas de diferentes origens. "A América que eu celebro não é a do ódio e da polarização. É aquela em que pessoas acolhedoras, humildes e bem-humoradas ainda trabalham juntas para construir algo melhor."
Já Melissa Pate, psicoterapeuta de Atlanta, afirmou que o momento também inspira reflexão sobre desafios históricos do país. "Dizer que já se passaram 250 anos e que ainda há pessoas que não vivem em verdadeira liberdade é um pouco decepcionante."
As comemorações também receberam manifestações de líderes internacionais. O papa Leão XIV enviou uma mensagem de felicitações aos americanos e destacou "o espírito, os sacrifícios e a contribuição dos imigrantes" para a construção dos Estados Unidos. O rei Charles III, do Reino Unido, afirmou não ter dúvidas de que britânicos e americanos continuam unidos por valores comuns.
Na Filadélfia, cidade onde foi assinada a Declaração de Independência em 1776, milhares de pessoas visitaram o Independence Hall e o Liberty Bell, símbolos da fundação do país. Outras celebrações ocorreram em cidades como Boston, Nova York e Los Angeles.
A data foi celebrada em meio a um ambiente de questionamentos sobre os rumos da democracia americana. Segundo uma pesquisa recente da Universidade Quinnipiac, 61% dos americanos afirmam que os Estados Unidos não vivem atualmente de acordo com os ideais estabelecidos na Declaração de Independência há 250 anos.
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