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EUA alertaram Irã sobre possível assassinato de negociadores por Israel

Autoridades dos EUA alertaram o Irã sobre o risco de Israel assassinar mediadores das negociações entre os países

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Presidente do parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf
Presidente do parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf • ICANA NEWS AGENCY / AFP

Autoridades dos Estados Unidos alertaram o Irã sobre a possibilidade de Israel assassinar mediadores durante as negociações nos últimos meses. O receio, segundo dois funcionários americanos, era de que alvos como Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano, ou o ministro das Relações Exteriores Abbas Araghchi, pudessem ser atacados. Os avisos foram transmitidos por meio de intermediários, conforme revelado pelo jornal The New York Times, que foi o primeiro a noticiar os alertas. Até esta sexta-feira (26), não havia indicações imediatas de que a inteligência dos EUA tivesse conhecimento de um plano específico para motivar o alerta.

Um alto funcionário da defesa israelense já havia falado publicamente sobre o desejo de Jerusalém de eliminar líderes iranianos de alto escalão. O ex-presidente Donald Trump, por sua vez, já havia deixado claro que tais ações poderiam complicar as negociações. Em março, ele se recusou a dizer a jornalistas com quem os EUA estavam negociando no Irã, justificando: “não quero que eles sejam mortos”. Ele acrescentou: “Sabe, é um pouco difícil. Eles já eliminaram todo mundo.”

Em resposta à reportagem original do The New York Times, o gabinete do primeiro-ministro de Israel escreveu na rede X: “Como de costume, a última matéria do The New York Times sobre Israel e os negociadores iranianos é fake news. Uma completa fabricação da realidade.” Uma porta-voz da embaixada de Israel em Washington se recusou a comentar. A CNN entrou em contato com a Casa Branca para obter posicionamento.

Divergências

Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em alguns momentos tiveram fortes divergências sobre a guerra com o Irã. Netanyahu estava frustrado com as negociações em andamento, enquanto Trump acreditava que o premiê israelense estava excessivamente disposto a inviabilizar uma paz incipiente. Em uma troca particularmente tensa em junho, Trump usou palavrões para expressar sua desaprovação de uma operação militar planejada por Israel no Líbano, segundo duas pessoas familiarizadas com a conversa.

Funcionários do governo Trump também acompanharam de perto a rede de espionagem de Israel, que intensificou suas atividades de inteligência e vigilância sobre autoridades iranianas e dos EUA nos últimos meses, disse um funcionário americano. Nos primeiros dias da guerra, Israel assassinou dezenas de importantes líderes políticos e religiosos no país, incluindo o líder supremo iraniano e, talvez ainda mais relevante para potenciais negociações, seu principal responsável pela segurança nacional, Ali Larijani.

No entanto, à medida que ficou claro que a campanha não estava conseguindo promover uma mudança de regime em Teerã, o governo Trump parece ter recuado do apoio a essa estratégia, passando a priorizar negociações com o Irã. Sobre a disposição para dialogar, o Irã sempre esteve aberto à diplomacia, conforme declarações passadas de seus ministros. Alvejar Ghalibaf ou Araghchi poderia ter comprometido negociações já muito frágeis, cujo futuro ainda é incerto. O governo do Irã, inclusive, já desmentiu Trump e afirmou que não negociará com os EUA em certas condições.

Embora os EUA e o Irã tenham assinado um memorando de entendimento prevendo um cessar-fogo de 60 dias, o acordo deixa as questões mais delicadas, como o destino do estoque nuclear do Irã, para conversas futuras. Mesmo com o acordo de 60 dias em vigor, o Irã disparou contra navios no Estreito de Ormuz, e os EUA responderam com ataques a alvos iranianos, o que levanta questões sobre se o Irã irá negociar enquanto Israel prosseguir com ataques.

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