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Mais de 500 drones foram apreendidos pelo FBI desde o início da Copa do Mundo

Quatro homens foram acusados de operar drones ilegalmente em espaços aéreos restritos durante a Copa do Mundo nos Estados Unidos

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Imagem de um drone • Canva

Um homem de 26 anos, John Alexander Meza, foi acusado de operar ilegalmente um drone perto de um evento de abertura da Copa do Mundo em Houston, no Texas, nos Estados Unidos. O caso, ocorrido em 11 de junho, é um dos quatro relatados no artigo, enquanto autoridades intensificam a repressão a voos não autorizados em espaços aéreos restritos designados para a competição da Fifa.

Meza teria pilotado um DJI Mavic 3 em espaço aéreo restrito da cidade na terça-feira (11) de junho, data de abertura da Copa. A ação acontece em um momento em que as autoridades dos Estados Unidos intensificam a repressão a voos não autorizados durante eventos. Até o momento, mais de 500 unidades foram apreendidas pelo FBI, agência federal de investigações do país, desde o início do torneio da Fifa.

Segundo uma denúncia criminal apresentada no Distrito Sul do Texas, Meza não possuía licença, não verificou as restrições de voo e seu drone não estava registrado na FAA (Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos). O voo durou dois minutos e atingiu cerca de 60 metros de altitude, relataram os promotores no documento. Não consta nos registros judiciais que Meza tenha advogado, e ele não respondeu ao pedido de comentário da CNN.

John Meza é uma das centenas de pessoas que enfrentam problemas por operar drones ilegalmente nas proximidades de locais da Fifa nas cidades-sede da Copa do Mundo. A FAA estabeleceu um "espaço aéreo de defesa nacional" ao redor de estádios e eventos oficiais para torcedores, ou "fan zones", designando-os como áreas proibidas para drones ("no drone zones") por motivos de segurança.

"Voar em uma zona restrita não é apenas perigoso; é um crime federal", afirmou Brett Skiles, agente especial do escritório do FBI em Miami, na Flórida. "Restrições temporárias de voo protegem torcedores, jogadores e infraestruturas críticas contra acidentes e ameaças à segurança", adicionou.

“É exatamente isso que planejávamos: trabalhar em conjunto com nossos parceiros interinstitucionais para mitigar a ameaça representada pelos drones e garantir a segurança de cada jogo, torcedor e atleta durante essas partidas históricas da Copa do Mundo”, afirmou o diretor do FBI, Kash Patel, em comunicado à CNN. “Ainda temos trabalho a fazer e continuaremos atuando ininterruptamente...”, acrescentou.

O Texas não é o único estado afetado; outros casos, como na cidade de Atlanta, na Geórgia, já foram relatados pela agência de investigações. Na quarta-feira (12) de junho, o posto de comando de Atlanta detectou um drone não autorizado voando perto do evento para torcedores no Centennial Olympic Park, afirmou um agente especial do FBI em uma denúncia criminal.

Sistemas de rastreamento forneceram as coordenadas GPS precisas da localização do operador, e os agentes afirmaram ter encontrado Lorenzo Rojas-Martinez pilotando um drone. Ele disse aos agentes que estava filmando eventos relacionados ao festival. O FBI constatou que ele estava ilegalmente nos Estados Unidos, já havia sido deportado duas vezes anteriormente e tinha uma condenação prévia por distribuição de cocaína. Ele foi preso e permanece sob custódia do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega). Rojas-Martinez ainda não possui advogado, segundo registros judiciais.

Há 11 estádios sediando jogos da Copa do Mundo nos Estados Unidos, todos abrangidos por uma área de espaço aéreo restrito criada para a Copa. Segundo a FAA, todas as operações de aeronaves ao redor dos estádios, incluindo drones, são proibidas em um raio de 5,6 quilômetros e até cerca de 900 metros acima do nível do solo, a menos que haja autorização do controle de tráfego aéreo. A agência aeronáutica também está restringindo o uso de drones ao redor dos locais de eventos para torcedores, como o Los Angeles Memorial Coliseum, em Los Angeles, na Califórnia, o Dallas Fair Park, em Dallas, no Texas, e o Rockefeller Center em Nova York, no estado de Nova York, entre outros. Mais locais podem ser adicionados e a lista está sujeita a alterações.

A abrangência das "zonas proibidas para drones" também resultou em acusações contra operadores que fotografavam coisas não relacionadas à Copa do Mundo. Na quinta-feira (13) de junho, Patrick Phillip Heer, de 34 anos e residente em Katy, no Texas, teria sido flagrado por autoridades operando um drone perto da "Fan Zone" da Copa do Mundo da Fifa, a leste do centro de Houston. Uma denúncia criminal federal afirma que ele tentava obter imagens para o negócio imobiliário de sua companheira. Segundo a acusação, ele disse a agentes do FBI que não possuía a licença adequada e que, embora soubesse da existência de restrições temporárias de voo, não verificou se havia alguma em vigor no momento. O advogado de Heer não quis comentar o caso.

Todas as restrições de espaço aéreo são publicadas no site da FAA e incluídas nos aplicativos B4UFLY, disponíveis para pilotos de drones recreativos. Os controles remotos dos drones também podem alertar os pilotos caso estejam prestes a decolar em espaço aéreo restrito. "Um piloto... provavelmente teria recebido uma mensagem no controle informando que estava operando o drone em espaço aéreo restrito", escreveu o FBI em uma das denúncias criminais. "O piloto teria que clicar na mensagem e confirmá-la para que ela desaparecesse", adicionou.

Operadores de drones que entram em espaço aéreo restrito sem autorização podem enfrentar multas de até 100 mil dólares (equivalente a aproximadamente 518 mil reais), confisco do drone, perda da licença de operador e acusações criminais federais, informou a FAA.

Até o momento, o FBI e as entidades parceiras apreenderam mais de 48 drones em Los Angeles, na Califórnia; 98 em Miami, na Flórida; 29 em Seattle, no estado de Washington; 63 em Dallas, no Texas; 77 em Atlanta, na Geórgia; 40 em Nova York, no estado de Nova York; nove em Newark, em Nova Jersey; 33 em Houston, no Texas; 32 em Kansas City, no Missouri; e 56 na Filadélfia, na Pensilvânia. A CNN também entrou em contato com os escritórios de São Francisco, na Califórnia, e Boston, em Massachusetts, para obter os números mais recentes dessas localidades.

"À medida que torcedores de todo o mundo se reúnem em estádios e eventos por todo o país para a Copa do Mundo da FIFA, a FAA está utilizando todas as ferramentas disponíveis para proteger o espaço aéreo, incluindo esforços mais rigorosos de fiscalização do uso de drones", disse Bryan Bedford, administrador da agência aeronáutica. "Os operadores de drones devem esperar uma ação rápida caso violem o espaço aéreo restrito", acrescentou.

Em 2026, a FAA atualizou sua política de fiscalização para exigir medidas legais quando operações com drones colocarem o público em risco, violarem restrições de espaço aéreo ou forem realizadas como parte de outro crime. Nos últimos anos, a agência multou diversos operadores. Em maio de 2024, um piloto remoto foi multado em cerca de 20 mil dólares (equivalente a aproximadamente 103 mil reais) por voar um drone sobre pessoas no festival de música Sunfest, em West Palm Beach, na Flórida. O incidente terminou com a aeronave colidindo contra uma árvore. Outro piloto foi multado em 14.790 dólares (equivalente a aproximadamente 77 mil reais) por operar um drone nas proximidades do State Farm Stadium, no Arizona, durante o Super Bowl em 2023.

O FBI afirmou que não recuará na responsabilização criminal de qualquer pessoa flagrada violando as regras de espaço aéreo restrito ao redor dos estádios durante este verão. “Se um operador de drone voar com o equipamento (em espaço aéreo restrito), nós interviremos”, disse James Barnacle, diretor assistente responsável pelo escritório do FBI em Nova York, no estado de Nova York, à CNN. “Nós iremos até o local e poderemos apreender o drone", pontuou.

Uma denúncia criminal apresentada no Distrito Norte do Texas afirma que o hondurenho Luis Mauricio Flores Ordonez teria pilotado um drone DJI Mini 3 Pro perto do estádio de Dallas, no Texas, na sexta-feira (14) de junho, quando ocorria a primeira partida da Copa do Mundo em Arlington, no Texas. Segundo a denúncia, o drone possuía um recurso que teria alertado o piloto sobre a restrição do espaço aéreo. A CNN entrou em contato com o advogado de Flores Ordonez para obter um posicionamento. Se condenado pela infração, ele pode enfrentar até três anos de prisão federal.

“É responsabilidade do operador do drone saber onde existem restrições temporárias de voo”, disse Joseph Rothrock, agente especial encarregado do FBI em Dallas, no Texas, em um comunicado à imprensa. A Copa do Mundo termina em 19 de julho com a partida final no MetLife Stadium; no entanto, continuarão a existir restrições para voos de drones em torno de futuros eventos esportivos, aeroportos, infraestruturas críticas e outras áreas.

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