Começou nesta sexta-feira (23), nos Emirados Árabes Unidos, a primeira conversa entre negociadores dos Estados Unidos, Rússia e Ucrânia desde a invasão em larga escala de Moscou em 2022. Um assessor do Vladimir Putin disse que não espera chegar a uma resolução do conflito, a menos que divergências sobre o território sejam resolvidas.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que a questão territorial, referente à região de Donbas, no Leste da Ucrânia, será discutida durante as negociações trilaterais com intermediação dos EUA. As conversas acontecem após Steve Witkoff, enviado especial do presidente Donald Trump, e o genro, Jared Kushner, terem uma reunião com o presidente russo, Vladimir Putin, por mais de três horas, a partir da noite dessa quinta-feira (22).
Putin deseja que a Ucrânia se retire dos cerca de 20%, ou 5.000 km², de Donetsk, que as forças russas ainda não conseguiram tomar em campo de batalha, enfrentando forte resistência ucraniana. Zelensky afirmou não ver motivos para ceder o território a Putin.
Donetsk é uma das quatro regiões ucranianas que Moscou anunciou em 2022 que anexaria, após referendos rejeitados por Kiev e pelas nações ocidentais como uma farsa. O Instituto para o Estudo da Guerra, grupo de pesquisa sediado nos EUA, estimou que as forças russas levariam até agosto de 2027 para conquistar o restante de Donetsk.
A comissão russa será liderada pelo almirante Igor Olegovich Kostyukov, chefe da Diretoria Principal de Inteligência. Segundo Putin, o grupo do país será formado apenas por militares. A delegação ucraniana inclui o vice-chefe do gabinete presidencial e chefe do Estado-Maior, general Andrii Hnatov.
(Sob supervisão de Alex Araújo)