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'Nunca fui padre', diz homem que estampou capa do calendário de 'padres sexies' de Roma

Souvenir tradicional em Roma foi 'desmentido' por jornal italiano após revelar que vários modelos não são padres

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Na foto, instrutor de comissários de bordo Giovanni Galizia "vestido" de padre
Na foto, instrutor de comissários de bordo Giovanni Galizia "vestido" de padre • Calendário Romano

Um calendário com retratos de jovens bonitos, usando trajes sacerdotais, tornou-se, há mais de duas décadas, um tradicional souvenir nas bancas de Roma e nos arredores do Vaticano. Mas, o calendário dos "padres sexies" ganhou uma reviravolta após uma revelação de que, aparentemente, poucos dos fotografados realmente são membros da Igreja Católica.

Giovanni Galizia, de 39 anos, estampou a capa da publicação em muitas das últimas 23 edições — com uma mesma foto, em que ele usa um clarinho clerical, diante da parede de uma igreja na cidade natal dele, Palermo. Em entrevista ao jornal italiano La Repubblica, o comissário de bordo revelou: "Nunca fui padre".

O jornal ironiza e questiona se ele "não perdeu a vocação", mas Galizia reforçou: "Repito, nunca tive. Essa história começa com um amigo de amigos, num encontro em Palermo há muitos anos".

Para ele, a sessão de fotos foi apenas uma brincadeira, até que o jornal italiano publicou uma reportagem revelando que o "calendário dos padres sexies" talvez pudesse ser chamado com mais precisão de "calendários dos falsos padres".

Galizia relatou que tinha 17 anos quando amigos em comum o apresentaram ao fotógrafo Piero Pazzi, que também criou um calendário com gondoleiros venezianos e fundou museus sobre a história dos gatos em Budapeste e Montenegro.

Oficialmente, o souvenir é chamado "Calendário Romano" e, em cada edição, traz 12 retratos em preto e branco de homens, em sua maioria usando roupas clericais. Muitas fotos são reaproveitadas ano após ano. Galizia disse ao jornal italiano que conheceu apenas um dos outros modelos, um francês que também não era padre.

Ele também afirmou não entender por que os retratos passaram a ser considerados sensuais e destaca que essa nunca foi a intenção. "Vejo um close-up, não tem nada de sensual. Nenhum flerte", disse. "Trata-se apenas de uma foto bonita, de um rosto limpo. Um clique esteticamente belo. Um rosto bonito, simétrico, agradável", acrescentou.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.