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Morte de chefe de Segurança não vai desestabilizar o regime do Irã

Abbas usou como exemplo a morte do aiatolá Ali Khamenei, dizendo que, mesmo com o óbito, o regime continuou intacto

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AFP

Mesmo com a morte de Ali Larijani, chefe de Segurança do irã, o regime iraniano não será afetado, afirmou o ministro das Relações Exteriores do país, Abbas Araghchi.

"Não sei por que os americanos e os israelenses ainda não entenderam este ponto: a República Islâmica do Irã possui uma estrutura política forte, com instituições políticas, econômicas e sociais consolidadas", afirmou à Al Jazeera.

"A presença ou ausência de um único indivíduo não afeta essa estrutura", acrescentou.

Abbas usou como exemplo a morte do aiatolá Ali Khamenei, que estava na liderança do Irã desde 1989. Mesmo com a enorme perda, o regime continuou intacto.

"Não tivemos ninguém mais importante do que o próprio líder, e mesmo quando o líder foi martirizado, o sistema continuou a funcionar e providenciou imediatamente um substituto", disse.

"Se mais alguém for martirizado, será a mesma coisa", completou.

Larijani era da confiança de Khamenei e estava no comando desde 2005

Ali Ardashir Larijani, de 67 anos, ocupou diferentes cargos ao longo da carreira no governo iraniano. Já foi comandante da Guarda Revolucionária durante a guerra contra o Iraque, nos anos 1980, antes de ir para a política.

Formou-se em matemática e ciência da computação pela Universidade Sharif de Tecnologia, fez doutorado em Filosofia pela Universidade de Teerã e escreveu sobre Immanuel Kant.

Larijani comandou a emissora estatal do país, foi o principal negociador nuclear do Irã e presidiu o parlamento por 12 anos, até 2020. Foi nomeado conselheiro do aiatolá Ali Khamenei em 2004 e, no ano seguinte, ocupou o cargo de chefe da Segurança do país, onde esteve até os dias atuais.

A família de Larijani também tem grande influência. Um dos irmãos dele é aiatolá e ex-chefe do Judiciário do Irã.

Segundo especialistas, Larijani não era visto como um ideólogo linha-dura, mas comprometido com a sobrevivência da República Islâmica como sistema de governo.

Ataques no Irã

Os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã começaram no dia 28 de fevereiro. Segundo o presidente Donald Trump, o objetivo era acabar com a “ameaça” iraniana. Em um dos ataques, o aiatolá Ali Khamenei foi morto.

Em retaliação, o Irã realiza ataques a todo o Golfo Pérsico. Mais de 2 mil pessoas morreram desde o início do conflito.

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Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.