Militares foram autorizados por presidente a ‘entrar atirando’ no Parlamento da Coreia do Sul
Presidente destituído tentou impor a lei marcial no país, mas medida foi evitada por parlamentares

Os militares da Coreia do Sul foram autorizados pelo presidente destituído do país, Yoon Suk Yeol, a abrir fogo para entrar no Parlamento durante a tentativa de impor a lei marcial. A conclusão é de um relatório do Ministério Público consultado neste sábado (28) pela AFP.
Yoon, destituído este mês, está sendo investigado depois de declarar a lei marcial e enviar o exército ao Parlamento na noite de 3 de dezembro, alegando um suposto conluio da oposição com Pyongyang.
Mesmo assim, os deputados conseguiram se reunir naquela mesma noite, depois de contornar o cordão militar, e derrubaram a lei marcial com uma votação.
De acordo com o relatório de acusação do Ministério Público, Yoon disse ao chefe do comando de defesa de Seul, Lee Jin-woo, que as forças militares poderiam disparar se necessário para entrar no Parlamento.
"Eles ainda não entraram? O que eles estão fazendo? Arrombe a porta e tire-os de lá, mesmo que seja atirando neles", disse Yoon a Lee, de acordo com o relatório.
Yoon também teria ordenado ao chefe do Comando de Contra-Espionagem de Defesa, general Kwak Jong-keun, que "entrasse rapidamente" no Parlamento, uma vez que o quórum necessário para suspender a lei marcial não havia sido alcançado.
"Entrem rapidamente no Parlamento e retirem as pessoas de dentro da Câmara, arrombem as portas com um machado se necessário e arrastem todos para fora", disse Yoon, segundo o relatório.
Yoon enfrenta acusações criminais de insurreição por sua declaração da lei marcial, o que pode lhe render prisão perpétua ou até mesmo a pena de morte.
O Gabinete de Investigação da Corrupção, que centraliza as investigações, já convocou duas vezes o presidente deposto para interrogá-lo sobre os acontecimentos que chocaram o país. Mas Yoon não compareceu a nenhuma dessas convocações.
Os investigadores enviaram-lhe uma terceira intimação na quinta-feira para uma audiência na manhã de domingo.
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