Leão XIV classifica pena de morte como 'inadmissível' e defende direito à 'redenção'
A declaração do pontífice ocorre em meio à decisão do governo Trump de transmitir ao vivo o fuzilamento de Nidal Hasan, condenado por matar 13 pessoas na base militar de Fort Hood, em 2009

O papa Leão XIV classificou a pena de morte como um ato “inadmissível”. Nas redes sociais, o perfil oficial do pontífice publicou, neste sábado (10), uma mensagem afirmando que a punição “atenta contra a inviolabilidade e a dignidade da pessoa”.
Segundo Leão XIV, os sistemas de detenção, como as prisões, são capazes de “proteger os cidadãos” e, ao mesmo tempo, não retirar dos culpados “a possibilidade de se redimir”.
A pena de morte é inadmissível porque atenta contra a inviolabilidade e a dignidade da pessoa. O bem comum pode ser protegido e as exigências da justiça podem ser salvaguardadas sem recorrer à pena capital: foram desenvolvidos sistemas eficazes de detenção, que protegem os cidadãos e, ao mesmo tempo, não retiram completamente dos culpados a possibilidade de se redimir. #NoDeathPenalty
A declaração do pontífice acontece em meio à decisão da Casa Branca de transmitir ao vivo o fuzilamento de Nidal Hasan, ex-psiquiatra do Exército dos Estados Unidos, condenado por matar 13 pessoas na base militar de Fort Hood em 2009.
O fuzilamento como método de execução da pena de morte é legal nos Estados Unidos. Em uma decisão unânime de 1879, a Suprema Corte do país concluiu que esse tipo de execução não configura uma punição cruel e incomum.
Em 2025, os ministros também permitiram que a Carolina do Sul voltasse a realizar execuções por fuzilamento, método que não era utilizado no estado havia décadas.
O método é permitido em cinco estados norte-americanos:
- Idaho;
- Mississippi;
- Oklahoma;
- Carolina do Sul;
- Utah.
Em 2026, o governo de Donald Trump também anunciou que autorizaria o uso do fuzilamento no sistema prisional federal.
O caso de Hasan também provocou reações de bispos dos Estados Unidos e do cardeal Pietro Parolin, que se manifestaram contra a pena de morte e a transformação de uma execução em um espetáculo midiático.
Essa não é a primeira vez que Leão XIV se manifesta contra a pena de morte. Em abril, durante um pronunciamento na Universidade DePaul, em Chicago, o pontífice recordou que a Igreja defende a vida humana desde a concepção até a morte natural. Na ocasião, declarou que a “dignidade da pessoa não se perde nem mesmo depois que foram cometidos crimes gravíssimos”.
Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.


