Juiz responsável pelo processo contra Maduro nos EUA morre aos 92 anos em Nova York
Alvin K. Hellerstein atuou por quase 30 anos no tribunal federal de Manhattan; magistrado havia marcado julgamento do presidente deposto da Venezuela e a esposa dele para junho de 2027

Alvin K. Hellerstein — juiz federal de 92 anos responsável pelos processos envolvendo o presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, nos Estados Unidos — morreu nesta quarta-feira (28) em Nova York. Ele atuou por quase 30 anos no tribunal federal de Manhattan.
O óbito foi confirmado pela juíza-chefe Laura Taylor Swain. O magistrado morreu pela manhã, cercado pela família. O funeral está marcado para quinta-feira (29), na capela Riverside Memorial, em Manhattan.
Hellerstein também conduziu processos importantes envolvendo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e os ataques de 11 de setembro de 2001.
Duas semanas antes de morrer, o magistrado conduziu a audiência inicial de Maduro e da mulher dele, Cilia Flores, em um processo que inclui acusações de tortura somadas a uma ação já existente por conspiração para narcoterrorismo.
Em uma audiência sobre a liberdade provisória de Flores, no dia 8 de outubro, Hellerstein tossiu muito e teve dificuldades para falar. Na ocasião, ele explicou aos advogados que estava com um problema na voz.
Apesar disso, o magistrado pretendia conduzir o julgamento de Maduro e Flores marcado para junho de 2027. Agora, com a morte dele, outro juiz será designado para o caso.
Barry Pollack, advogado de Nicolás Maduro, se pronunciou sobre a morte de Hellerstein: "Ficamos tristes ao saber da morte do juiz Hellerstein e apresentamos nossas condolências à família", afirmou.
Juiz atuou em casos contra Trump
Em agosto, Hellerstein rejeitou, mais uma vez, uma tentativa de Donal Trump de anular a própria condenação criminal por falsificação de registros comerciais para ocultar um pagamento à atriz pornô Stormy Daniels antes da eleição presidencial de 2016.
Trump queria transferir o preocesso, que tramitou na Justiça estadual de Nova York, para a Justiça federal e anulá-lo com base na alegação de imunidade presidencial.
Foi a terceira vez que Hellerstein rejeitou um pedido do tipo. A primeira aconteceu em março de 2023, após o indiciamento de Trump. Depois, em maio de 2024, quando o presidente dos Estados Unidos foi condenado, e de uma decisão da Suprema Corte que reconheceu que presidentes e ex-presidentes tem imunidade criminal por determinador atos oficiais.
Atataques de 11 de setembro
Alvin K. Hellerstein conduziu dezenas de processos civis relacionados a mortes, ferimentos e danos materiais, após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, contra o World Trade Center, em Nova York. Os casos se estenderam por 20 anos.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



