11 de Setembro: ataque que mudou rumo da história mundial completa 25 anos
Atentado segue sendo o maior registrado em todo o planeta, com a confirmação de 2.977 mortos e reflexos profundos na geopolítica internacional

O que você estava fazendo na manhã do dia 11 de setembro de 2001? É possível que essa seja a pergunta mais feita no século XXI. O ataque que marcou a história mundial, comandado pela Al-Qaeda, em que aviões sequestrados atingiram as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, nos Estados Unidos, completa 25 anos nesta sexta-feira (11).
O atentado foi o maior registrado no país desde o bombardeio japonês à base militar de Pearl Harbor, no Havaí, em 1941. Sessenta anos depois, em uma terça-feira "comum", quatro aviões comerciais estadunidenses foram sequestrados na costa leste do país.
Além das aeronaves lançadas contra as torres gêmeas, um avião chocou-se com o Pentágono (sede do Departamento de Defesa dos EUA, em Washington D.C.), e outro caiu em uma área desabitada na Pensilvânia. Ao todo, 2.977 pessoas morreram no ataque, além dos 19 sequestradores das aeronaves.
Em janeiro de 2001, George W. Bush havia assumido a presidência dos Estados Unidos. O país vivia em um contexto de consolidação como única superpotência do pós Guerra Fria. O ataque, considerado com o maior número de vítimas da história, foi uma tragédia que mudou os rumos do mundo.
Relembre, nesta reportagem, o que aconteceu em 11 de setembro de 2001, entendendo o contexto geopolítico da época, como foram as investigações e consequências do atentado.
Contexto geopolítico
O 11 de setembro de 2001 aconteceu em um momento de transição na política internacional, marcado pela com a hegemonia incontestada dos Estados Unidos, após a Guerra Fria (1947 a 1991) contra a então União Soviética, e pela emergência do terrorismo transnacional.
Décadas antes, em 1980, os EUA, a Arábia Saudita e o Paquistão apoiaram e financiaram os mujahidin, termo conhecido para designar grupos de guerrilheiros islâmicos que combateram as tropas da União Soviética durante a Guerra do Afeganistão.
O fim do conflito e a omissão do Ocidente deixaram um vácuo geopolítico no país, ocupado pelo regime Talibã, em 1996. O cenário permitiu que Osama bin Laden e a Al-Qaeda estabelecessem um santuário operacional para estruturar uma rede jihadista global.
Em 1991, a Guerra do Golfo resultou no estacionamento permanente de tropas norte-americanas na Arábia Saudita. A presença militar, somada às severas sanções econômicas impostas ao Iraque durante a década de 1990 e ao apoio irrestrito dos EUA a Israel no contexto da Segunda Intifada (iniciada em 2000), alimentou o sentimento anti-estadunidense na região.
O atentado
Os Arquivos Nacionais dos Estados Unidos (National Archives and Records Administration) dedicam uma página para relembrar o ataque de 11 de setembro de 2001. As informações abaixo sobre o atentado foram baseadas no que foi divulgado pela imprensa internacional e pelo governo estadunidnese.
O atentado começou às 8h46, horário local, quando o primeiro avião, um Boeing 767 fazendo o voo 11, de Boston em direção a Los Angeles, atingiu a torre Norte do World Trade Center. A edificação é conhecida por ser uma rede global de centros de negócios nos EUA, com duas torres de 417 e 415 metros — sendo as mais altas do mundo na época da inauguração, em 1973. Após o ataque, canais de televisão começaram a transmitir in loco, entrevistando testemunhas e especulando o que tinha acontecido, suspeitando que poderia ter sido um acidente.
Durante a transmissão, às 9h30, 17 minutos depois do primeiro ataque, um segundo Boeing 767, do voo 175 que também saíra de Boston com destino a Los Angeles, chocou-se contra a torre Sul. As imagens foram propagadas em todo o mundo, vista por milhões de pessoas.
Em seguida, as suspeitas de que seria um ataque coordenado se confirmaram. Às 9h37 o terceiro avião, um Boeing 757 fazendo o voo 77, de Washington a Los Angeles, atingiu uma das laterais do Pentágono, em Washington D.C. Por fim, a quarta aeronave, um Boeing 757 que saíra de Nova Jersey com destino a São Francisco, no voo 93, caiu na Pensilvânia às 10h03.
Inicialmente, as investigações apontaram que o último avião tinha como destino atingir a Casa Branca, residência oficial do presidente dos Estados Unidos, em Washington D.C. Entretanto, relatos de integrantes do Al-Qaeda indicam que o alvo seria o Capitólio, a sede do Congresso. Mas, a aeronave chocou-se com o solo, após passageiros lutarem com os sequestradores dentro da cabine.
Cinco minutos após o ataque ao Pentágono, a agência de aviação federal do país (Federal Aviation Administration, em inglês) ordenou que todos os aviões comerciais aterrissassem imediatamente, na pista mais próxima. A medida também foi adotada pelo Canadá e mais de quatro mil aeronaves aterrissaram. Os voos comerciais permaneceram suspensos no país por três dias.
As torres gêmeas do World Trade Center simbolizavam a força do capitalismo estadunidense, enquanto o Pentágono e o Capitólio representam, respectivamente, o poder militar e o poder político da maior potência do planeta.
Queda das torres gêmeas e vítimas
A torre Sul do World Trade Center, que foi atingida pelo segundo avião, desabou às 09h59, causando um incêndio. Cerca de meia hora depois, às 10h28, a torre Norte foi ao chão. As duas construções foram destruídas pelo fogo provocado pelos combustíveis das aeronaves — que estavam com os tanques cheios, visto que foram sequestradas logo após a decolagem.
No fim da tarde do mesmo dia, outro prédio do completo do World Trade Center, o 7 WTC, desabou, depois de a estrutura ter sido abalada pela destruição das torres gêmeas. Durante os resgates nas edificações, 345 integrantes do Corpo de Bombeiros de Nova York morreram.
Entre as vítimas haviam centenas de estrangeiros, sendo apontado por autoridades aproximadamente 90 nacionalidades entre os 2.977 mortos. Três eram brasileiros: Anne Marie Sallerin Ferreira, de 29 anos, Sandra Fajardo Smith, de 37, e Ivan Kyrillos Fairbanks Barbosa, de 30.
Os trabalhos de ajuda e resgate em Nova York contaram com um grupo de aproximadamente 80 mil pessoas, entre bombeiros, policiais e profissionais de saúde. O ataque e as horas seguintes expuseram os presentes a diversos materiais tóxicos e até mesmo cancerígenos, como chumbo e amianto.
Anos depois, o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos estimou que 400 mil pessoas haviam sido feridas ou expostas a materiais tóxicos no dia do ataque:
- Até 2018, mais de duas mil pessoas morreram de doenças associadas à exposição a materiais perigosos, especialmente câncer.
- Até 2019, 241 integrantes do departamento de polícia de Nova York haviam morrido de doenças relacionadas ao trabalho deles durante o 11 de Setembro.
Investigações
Autoridades de segurança dos Estados Unidos inciaram as investigações sobre o atentado quase que imediatamente. O ponto de partida foi uma mala, associada ao egípcio Mohamed Atta, encontrada no aeroporto de Boston, contendo dados dele e de outras pessoas.
Em seguida, o FBI apontou os 19 sequestradores que estavam distribuídos em cada avião. Atta foi identificado como o líder operacional do atentado, sendo quem pilotou o primeiro Boeing a atingir o World Trade Center. Dos outros 18 sequestradores, 15 era sauditas, dois dos Emirados Árabes Unidos e um do Líbano.
Ainda foi apontado que Osama bin-Laden, então líder do grupo Al-Qaeda, foi o idealizador de toda a operação. Na época, ele estava baseado no Afeganistão, protegido pelo regime do Talibã, e era conhecido como o militante islamista mais perigoso do mundo.
Osama bin-Laden estava na lista dos 10 fugitivos mais procurados pelo FBI. Ele também era apontado como responsável pelo atentado a bomba contra as embaixadas americanas em Nairóbi (Quênia) e Dar es Salaam (Tanzânia), em 1998, que deixaram mais de 200 mortos.
O líder já havia defendido publicamente ataques contra alvos estadunidenses. Em duas fatwas ( mensagem proferida por alguma liderança religiosa pedindo que os muçulmanos sigam o conteúdo), ele havia conclamado fiéis a participar do movimento contra a maior potência mundial.
Na "Carta para a América", divulgada em novembro de 2002, Osama bin-Laden comentou sobre o atentado realizado no ano anterior e voltou a acusar "as agressões cometidas contra muçulmanos em diversos países pela cruzada da aliança sionista e de seus colaboradores".
Consequências
Uma da primeiras consequências notadas foi percebida logo após os voos nos Estados Unidos serem retomados, com uma preocupação com a segurança extrema — que atingiu até outros países, como o Brasil. Até hoje, aeroportos no país possuem normas extras, como a proibição de entrada com líquidos na bagagem de mão e e a necessidade de passageiros separarem objetos pessoais, como cintos e sapatos, na passagem por equipamentos de raio-X, antes do embarque.
Na esfera política, o republicano George W. Bush recebeu um índice de 90% de aprovação interna. Até mesmo a oposição, como figuras democratas, compartilharam apoio ao presidente. Com isso, Bush reuniu com facilidade apoio político para duas guerras: no Afeganistão, em 2001, e no Iraque, em 2003.
A comunidade internacional também ofereceu apoio ao governo dos Estados Unidos. Em 12 de setembro de 2001, o Conselho de Segurança da ONU aprovou, por unanimidade, a resolução 1368. A entidade também condenou o atentado, reafirmou o compromisso da comunidade internacional de combate ao terrorismo e confirmou o direito de defesa contra ataques dessa natureza, com base na lei internacional.
Invasão no Afeganistão
Uma das maiores consequências e respostas dos Estados Unidos após o 11 de Setembro foi a invasão do Afeganistão. O país nomeou o conflito como "Guerra ao Terrorismo", afirmando ter reunido evidências de que o ataque havia sido planejando por Bin Laden e a Al-Qaeda.
Dias após o ataque, Bush disse, em entrevista coletiva, buscar a captura de Osama bin-Laden: "Quero justiça. Existe um velho cartaz, no Oeste, que diz: 'Procurado — Vivo ou Morto'".
Em seguida, o presidente dos EUA exigiu que o governo do Talibã entregasse o líder da Al-Qaeda e integrantes do grupo às autoridades norte-americanas. Também foi solicitado que fechasse fechasse todas as bases de treinamento do grupo e desse aos Estados Unidos acesso a esses campos para verificar que estavam mesmo inativos.
Por outro lado, o Talibã alegou precisar cumprir leis locais e costumes da cultura pashto de hospitalidade, que proibiam a expulsão do país de um convidado das lideranças locais, recusando as exigências estadunidenses.
A posição levou à operação militar internacional em 7 de outubro de 2001, batizada de "Operação Liberdade Duradoura". A coalizão liderada pelos Estados Unidos contou com o apoio do Reino Unido e mais de 20 países, a maiora integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Cerca de um mês depois, o regime do Talibã em Cabul foi derrubado e forças da Otan e dos EUA tomara a capital do Afeganistão.
Entretanto, a captura de Osama bin-Laden não foi imediatamente alcançada. O líder do Talibã , Mohammed Omar, conhecido como Mulá Omar, também não foi localizado. Em 2021, militares norte-americanos e tropas estrangeiras saíram do Afeganistão e, meses depois, o Talibã voltou a controlar o país.
Capturas e morte de Osama bin-Laden
Com ajuda do serviço de inteligência do Paquistão, os Estados Unidos e aliados começaram a capturar ou matar os principais acusados de planejar e comandar o atentado do 11 de Setembro. Em 2003, militares norte-americanos prenderam, no Paquistão, Khalid Sheikh Mohammed, acusado de ser o arquiteto dos ataques.
Outros quatro acusados de ajudar na logística da operação — os iemenitas Walid bin Attash e Bamzi bin al-Shibh, o paquistanês Ammar al-Balushi e o saudita Mustafa al-Hawsawi — também foram presos em 2002 e 2003. Todos foram levados para a base dos EUA de Guantánamo, na ilha de Cuba, onde o governo Bush montou uma prisão para acusados de terrorismo capturados ao redor do mundo.
O presídio foi alvo de grande polêmica no âmbito internacional, visto que Washington deixava os detidos em um limbo legal, sem o status de prisioneiros de guerra ou de criminosos comuns. Quando chegou à Presidência, Barack Obama chegou a anunciar um plano para fechar a unidade, mas não encontrou um outro destino para mais de 40 prisioneiros. O local segue em funcionamento até hoje.
Acordo de culpa e julgamento
Em 2024, promotores militares firmaram um acordo pré-julgamento no qual Khalid Sheikh Mohammed, Walid bin Attash e Mustafa al-Hawsawi confessariam a culpa em troca de penas de prisão perpétua, eliminando a possibilidade de pena de morte.
Dias depois, o então secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, revogou o acordo, argumentando que a decisão sobre a pena capital para o maior ataque em solo norte-americano cabia exclusivamente ao comando civil.
Após disputas judiciais, uma corte federal de apelações confirmou a revogação do acordo em julho de 2025, fazendo com que o processo retornasse ao tribunal militar com a pena de morte reincorporada. O julgamento militar dos quatro réus está agendado para junho de 2028.
Localização de Bin Laden

Quatro meses antes do 10º aniversário do 11 de Setembro, Osama bin-Laden foi encontrado, em Abbottabad, no Paquistão, a 120 quilômetros da capital, Islamabad. Ele estava em um prédio protegido, a cerca de um quilômetro de uma academia militar paquistanesa.
Após a localização, forças especiais da Marinha dos EUA realizaram uma operação contra a instalação. O ataque aconteceu pela madrugada e Bin Laden foi morto no local, aos 54 anos. O corpo dele foi levado pelas forças norte-americanas para identificação e, segundo autoridades do país, lançado ao mar menos de 24 horas depois da morte — como está previsto na tradição muçulmana.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.











