Javier Milei chama ONU de 'inútil' e cita Malvinas durante discurso na Assembleia Geral
Presidente da Argentina discursou no segundo dia da sessão de debates; Milei também condenou represálias das Nações Unidas a Israel pelos ataques na Faixa de Gaza

O discurso do presidente da Argentina, Javier Milei, na Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta quarta-feira (23), foi marcado por críticas à ONU e acusações de "inação" dianta da disputa entre o país sul-americano e o Reino Unido pelas ilhas Malvinas.
Durante a fala, Milei chamou a Organização das Nações Unidas de "inútil" e condenou represálias da organização a Israel pelos ataques na Faixa de Gaza.
"[A ONU] se transformou em uma organização inútil que só serve para alimentar uma casta de parasitas arrogantes, disfarçados de burocratas bem-intencionados. (...) Quem deveria garantir a segurança coletiva e os direitos humnos, em seu lugar, permitiu o caois, a violência e o terrorismo internacional", discursou Milei.
O argentino — reponsável por retirar o país da Organização Mundial da Saúde (OMS) — também acusou a organização de ter promovido, durante a pandemia, um "experimento global de controle social disfarçado de ciência", ao recomendar quarentena.
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Ilhas Malvinas
Milei disse que a disputa entre Argetina e Reino Unido pelas ilhas Malvinas, é um exemplo de inação da ONU, que já aprovou resolução sobre o caso.
Uma resolução na ONU é caracterizada como uma diretriz manifestada pela maioria dos países membros da organização sobre algum conflito no mundo. No entanto, para que entre em vigor, é preciso que o país alvo da resolução se comprometa a cumpri-la, visto que que a ONU é um acordo comum entre os 193 membros.
"As Malvinas não são apenas uma questão entre a Argentina e o Reino Unido, mas também coloca a questão sobre a capacidade desta organização de fazer valer suas próprias resoluções. De que adianta uma resolução se, durante décadas, a contraparte pode agir em sentido contrário?", declarou.
A comitiva britância não reagiu à fala, mesmo que seja de praxe que, na Assembleia Geral, comitivas de países com posições contrária às do país do discursante se levantem, em um ato de condenação diplomática.
Diante do que chamou de inação, Milei afirmou que o governo argentino "vai tomar providências" sobre a disputa.
"Hoje venho dizer a vocês que a Argentina não vai se sentar e esperar que a ONU e a comunidade internacional estejam à altura de seu próprio mandato. Vamos tomar providências nesse assunto", afirmou.
Entenda disputa histórica
A disputa territorial pelas ilhas Malvinas (chamadas de Falkland Islands pelo Reino Unido) gira em torno da soberania de um arquipélago no Atlântico Sul. Embora o Reino Unido administre a região desde 1833, a Argentina reivindica o território como parte inalienável de sua soberania.
Um dos principais motivos pelos quais o país sul-americano reivindica a posse é justamente a proximidade — as ilhas ficam a cerca de 500 quilômetros de distância da costa da Patagônia e cerca de 13 mil quilômetros do Reino Unido.
Os argentinos argumentam, ainda, que quem primeiro ocupou as ilhas foram os espanhóis que governavam o Vice-Reino do Rio da Prata. A região, em 1810, tornou-se independente da metrópole da Espanha para virar a Argentina.
Na década de 1820, já independente, a Argentina enviou autoridades para tomar posse das ilhas. Em 1829, nomeou um governador para as Malvinas. Já em 1833, os ingleses expulsaram as autoridades argentinas das ilhas.
Por outro lado, o Reino Unido afirma que a sua reivindicação é de 1765, anterior à década de 1820, e que enviou um navio de guerra para as ilhas em 1833 para expulsar as forças argentinas que tinham tentado tomar posse das ilhas.
Mais de 100 anos depois, em 1982, sob a ditadura os argentinos lançaram a "Operação Rosário" na tentativa de recuperar as ilhas com forças militares — iniciando a Guerra das Malvinas. O conflito foi vencido por dois meses, com 649 soldados argentinos, 255 soldados britânicos e 3 moradores da ilha mortos.
Em 2013, morradores das Malvidas votaram em um plebiscito para decidir o destino da ilha. Na ocasião, optaram por permanecer como um território ultramarino do Reino Unido.
A disputa chegou a ser discutida até no futebol. Na Copa do Mundo 2026, após a vitória da Argentina sobre a Inglaterra nas semifinais, atletas do país sul-americano exibiram uma faixa sobre as ilhas Malvinas — com os dizeres "As Malvinas são Argentinas".
81ª Assembleia Geral da ONU
A 81ª Assembleia Geral da ONU acontece entre os dias 22 e 28 de setembro de 2026, em Nova York, nos Estados Unidos. Lideranças dos 193 Estados-membros farão declarações expondo as próprias posições e prioridades diante de desafios globais complexos e interligados.
O tema do debate este ano será: "Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas".
Os discursos e os principais eventos serão transmitidos ao vivo, pela TV on-line da ONU. As Nações Unidas também disponibilizam a cobertura em português pela ONU News.

Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



