O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou ao longo da última semana diversos presidentes para integrar o “Conselho da Paz” criado no país como uma clara afronta à Organização das Nações Unidas (ONU). Foram cerca de 60 representantes convidados, entre eles estão o brasileiro Lula, o israelense Benjamin Netanyahu, o ucraniano Volodymyr Zelensky e o russo Vladimir Putin.
Nesta quarta-feira (21), o primeiro-ministro Netanyahu divulgou que aceitou o convite para integrar o Conselho de Donald Trump, um dos principais aliados do país. O grupo foi criado, a princípio, para manutenção da paz e reconstrução da Faixa de Gaza, território da Palestina que foi o mais afetado pelo conflito contra Israel e vive um
O presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, também divulgou durante a quarta-feira o aceite para ingresso no grupo. O Ministério das Relações Exteriores, em nota, “anuncia que aceita o convite e seu compromisso em cumprir os procedimentos legais e constitucionais pertinentes”, assim como “expressa seu apoio à missão do Conselho para a segunda fase do plano integral para o fim do conflito em Gaza”.
Por sua vez, a Noruega não participará do “Conselho da Paz” proposto por Trump, que está frustrado com o país nórdico por não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz. “A proposta dos EUA levanta uma série de questões que exigem um diálogo mais profundo com os Estados Unidos”, disse Kristoffer Thoner, secretário de Estado vinculado ao gabinete do primeiro-ministro norueguês, em mensagem transmitida à Agência France-Presse
Rússia e Ucrânia no ‘Conselho da Paz’
Durante a última terça-feira (20), Zelensky confirmou o recebimento do convite de Trump, mas afirmou que acha muito difícil “imaginar estar sentado junto à Rússia em qualquer tipo de conselho”. Os dois presidentes seguem em confronto que tem intermediação dos Estados Unidos nas tratativas de resolução.
O presidente russo, Vladimir Putin, também confirmou que foi convidado para ingressar no grupo, entretanto, não se posicionou publicamente sobre. “No momento, estamos estudando todos os detalhes dessa proposta. Esperamos entrar em contato com o lado norte-americano para esclarecer todos os detalhes”, afirmou Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin.
Contraponto à ONU
Segundo o preâmbulo da organização criada por Trump, o “Conselho da Paz é uma organização internacional que busca promover a estabilidade, restaurar a governança confiável e legítima e garantir a paz duradoura em regiões afetadas ou ameaçadas por conflitos”.
O texto faz uma crítica direta à ação da Organização das Nações Unidas (ONU) ao dizer das “diversas abordagens para a paz” que “institucionalizam as crises em vez de permitir que as pessoas avancem”. Trump será “o primeiro presidente do Conselho da Paz”, com amplos poderes, e o único autorizado a convidar países a participar, a critério dele
(Sob supervisão de Alex Araújo)