Israel anunciou neste domingo (31) a morte de Abu Obeida, porta-voz das Brigadas Ezedin Al Qasam, braço armado do Hamas, na Faixa de Gaza. O militar era uma das vozes mais conhecidas do grupo islamista, frequentemente visto em mensagens em vídeo ao longo dos últimos anos. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e confirmado pelo ministro da Defesa, Israel Katz, que disse que o dirigente foi “eliminado em Gaza”.
A confirmação ocorreu pouco depois de o Hamas reconhecer a morte de Mohamed Sinwar, apontado como líder do grupo na Faixa de Gaza. A notícia surge mais de três meses após Israel ter afirmado que havia eliminado Sinwar em um ataque aéreo contra Khan Yunis, no centro do território. A perda de dirigentes de alto escalão mostra a continuidade da ofensiva israelense contra a estrutura de comando do Hamas.
Segundo o Exército israelense, a estratégia não se limita à Faixa de Gaza. O comandante do Estado-Maior, Eyal Zamir, declarou que “a maior parte da liderança do Hamas está no exterior e também chegaremos neles”, reforçando a disposição de Israel em caçar dirigentes do movimento além de suas fronteiras. A promessa mantém acesa a escalada de tensões quase dois anos após o início da guerra.
Enquanto isso, ataques aéreos israelenses deixaram pelo menos 24 mortos em diferentes áreas da Faixa de Gaza neste domingo, de acordo com a Defesa Civil local. As vítimas estavam em regiões como a Cidade de Gaza, o maior centro populacional do território. Parte dos ataques ocorreu próximo a centros de distribuição de ajuda, o que aumentou o temor entre moradores e deslocados que já sofrem com a escassez de alimentos e abrigo.
Relatos de civis dão a dimensão da crise. “O horror, o medo, a destruição e o fogo explodiram em todas as barracas”, disse Ashraf Abu Amsha, que vive em um campo de deslocados. Outros moradores descreveram noites marcadas pela insegurança e pela fome, em meio ao cerco imposto por Israel. Segundo a ONU, quase dois milhões de pessoas vivem sob restrições severas há mais de 22 meses, com a entidade já declarando estado de fome no território – algo que Israel contesta.
O conflito, iniciado em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas lançou um ataque que matou 1.219 pessoas em Israel e sequestrou 251, já deixou um rastro devastador. De acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, mais de 63,4 mil palestinos morreram em represálias israelenses desde então, a maioria civis. Os dados são considerados confiáveis pela ONU, que continua alertando para o colapso humanitário no enclave.