Irã pode anunciar novo líder supremo em até dois dias após morte de Ali Khamenei

Governo iraniano afirma que instituições seguem funcionando e descarta, por ora, fechar o Estreito de Ormuz em meio ao conflito com Estados Unidos e Israel

Aiatolá Khamenei morreu durante ataques do EUA e Israel ao Irã

O Irã pode anunciar nos próximos dias o nome do novo líder supremo do país, após a confirmação da morte de Ali Khamenei em ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel. A informação foi dada pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, em entrevista à Al Jazeera.

Segundo Araghchi, a escolha pode acontecer em “um ou dois dias”. Ele destacou que as instituições do Estado continuam operando normalmente e que o país possui “procedimentos constitucionais em vigor” para garantir a sucessão no comando máximo da República Islâmica.

A morte de Khamenei foi confirmada pela mídia estatal iraniana na manhã de domingo, no horário local. O líder supremo era a principal autoridade política e religiosa do país e exercia forte influência sobre as Forças Armadas e as decisões estratégicas do governo.

Estreito de Ormuz

Em meio ao clima de incerteza, Araghchi afirmou que o Irã não pretende fechar o Estreito de Ormuz neste momento, nem adotar medidas que interrompam a navegação na região “nesta fase”.

Mesmo assim, o tráfego marítimo no estreito caiu drasticamente desde sábado. Grandes companhias de navegação suspenderam a passagem de navios após o registro de três ataques a petroleiros nas proximidades. Em um dos casos, a tripulação precisou ser evacuada.

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O Estreito de Ormuz é uma das rotas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e gás, ligando o Golfo Pérsico ao restante do planeta. Qualquer bloqueio pode impactar diretamente os preços globais de energia.

Acusação

O chanceler iraniano declarou que o país está atacando bases militares americanas na região. Ele afirmou que os Estados Unidos teriam evacuado parte dessas instalações e que militares americanos estariam hospedados em hotéis, o que classificou como uso de “escudos humanos”.

Araghchi também classificou como “absolutamente sem precedentes e uma grave violação do direito internacional” o assassinato de um líder de outro país por forças estrangeiras.

Contexto

No sábado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o país iniciou “grandes operações de combate” contra o Irã. Em um vídeo publicado na rede Truth Social, ele acusou Teerã de rejeitar todas as oportunidades de abandonar suas ambições nucleares e afirmou que Washington “não aguenta mais”.

Israel também confirmou ataques contra o território iraniano.

Diferentemente da ofensiva anterior, ocorrida em junho de 2025, os novos ataques começaram durante o dia, no primeiro dia útil da semana no Irã, enquanto milhões de pessoas se deslocavam para o trabalho e para a escola. Segundo informações divulgadas pela CNN Internacional, a operação atual pode se estender por vários dias.

A emissora já havia informado que Khamenei estava entre os alvos da primeira onda de bombardeios, ao lado de outros líderes importantes do regime.

Ataques ao Oriente Médio

Em resposta, o governo iraniano lançou uma série de ataques em diferentes pontos do Oriente Médio. Explosões foram registradas em países que abrigam bases militares americanas, como Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.

Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

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