Mineira relata rotina em Dubai após ataques do Irã: ‘Normalidade claramente superficial’

Jamili Pires Soares está na região de Dubai Marina e relata clima de ‘silêncio apreensivo’ após interceptações de mísseis iranianos que teriam como alvo bases dos EUA no Golfo

Jamili Pires Soares, de 23 anos, é modelo e jornalista e permanecerá em Dubai pelos próximos dois meses

Uma mineira que vive em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, relatou à Itatiaia, neste domingo (1º), momentos de tensão na cidade após registros de interceptações de mísseis iranianos que teriam como alvo bases militares dos Estados Unidos na região do Golfo.

Modelo e jornalista, Jamili Pires Soares, de 23 anos, está no país desde 17 de fevereiro para uma temporada de trabalho e afirma que, apesar das garantias oficiais de segurança, o clima é de apreensão.

Instalada na região de Dubai Marina e em sua primeira vez na cidade, a jovem contou que a rotina mudou.

“O clima está tenso e em uma espécie de silêncio apreensivo, pelo menos na região em que vivo. Ainda que algumas coisas estejam funcionando normalmente, com pessoas circulando pela cidade - ainda que em um fluxo significativamente menor -, a normalidade é claramente superficial, sendo impossível ignorar uma apreensão constante no ar.”

Alguns compromissos profissionais foram remarcados, e as saídas para atividades cotidianas estão sendo feitas com rapidez. “Os afazeres fora do prédio são feitos muito rapidamente, evitando ao máximo exposições desnecessárias.”

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Explosões e alerta nos celulares

Segundo ela, as explosões começaram a ser ouvidas no início da tarde desse sábado (28) e se intensificaram durante a madrugada.

“Ouvi explosões de interceptações de mísseis, elas começaram ontem no início da tarde e desde então não cessaram completamente. O pico ocorreu de madrugada, quando um alarme soou nos celulares por volta das 00h, pedindo que procurássemos locais seguros e nos mantivéssemos longe de janelas, vidraças e locais abertos. A partir daí, ocorreram diversos barulhos de explosões das interceptações aéreas. Hoje essas explosões foram menos frequentes, mas o clima de tensão continuou.”

As autoridades locais, de acordo com a Jamili, orientaram a população por meio de redes sociais e alertas enviados aos celulares.

“Os perfis oficiais continuam assegurando a segurança dos Emirados e que não há razão para pânico. Orientaram que mantivéssemos em locais seguros, evitássemos o estoque desnecessário de mantimentos e acompanhássemos apenas orientações oficiais.”

Serviços funcionando parcialmente

Apesar do cenário, parte da cidade segue operando. O transporte público continua ativo, assim como mercados, farmácias e alguns restaurantes. No entanto, há estabelecimentos fechados sem previsão de reabertura.

A área de lazer descoberta do prédio onde ela mora foi interditada, e o aeroporto da cidade está fechado até as 15h de segunda-feira (2).

“Impossível se sentir completamente segura”

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Mesmo com as garantias das autoridades, a mineira afirma que o sentimento é de insegurança.

“Apesar de as fontes oficiais assegurarem a segurança de Dubai, é impossível se sentir completamente segura. A situação é completamente imprevisível, ainda mais sendo brasileira e nunca tendo presenciado nada parecido com uma ameaça de guerra. Isso nunca havia ocorrido em Dubai, e esse ineditismo deixa tudo ainda pior.”

Dois meses

Ela deve permanecer no país por mais dois meses e meio. A família, no Brasil, acompanha os acontecimentos com preocupação.

“Tento manter eles bem atualizados, mas o medo e a preocupação são claros. É uma situação completamente extraordinária. A única forma de minimizar um pouco essa apreensão é oferecer informações verdadeiras e atualizadas do que está acontecendo por aqui, sem gerar pânico.”

Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.

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