Irã acusa EUA de ataque a central nuclear de Natanz
Autoridades iranianas dizem que não houve vazamento de radiação; Israel afirma desconhecer ação, e EUA não se pronunciam

O governo do Irã afirmou que os Estados Unidos atacaram, neste sábado (21), a central nuclear de Natanz, localizada a cerca de 300 quilômetros de Teerã.
De acordo com a agência de notícias Tasnim, não houve vazamentos radioativos, e os moradores da região não correm risco. Já o Exército de Israel afirmou desconhecer o suposto ataque.
A central de Natanz já havia sido alvo de ações durante episódios de tensão entre Israel e Irã em julho do ano passado. Caso o novo ataque seja confirmado, será o primeiro contra uma instalação nuclear desde o início da atual guerra no Oriente Médio.
Até a última atualização desta reportagem, o governo norte-americano não havia se pronunciado sobre o caso.
Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica, também não foi registrado aumento nos níveis de radiação na central nuclear.
“Após os ataques criminosos dos EUA e do regime sionista usurpador contra o nosso país, o complexo de enriquecimento de Natanz foi alvo de um ataque nesta manhã”, afirmou a organização em um comunicado divulgado pela agência de notícias Tasnim.
Entenda o conflito no Oriente Médio
Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear.
Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.
Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
Dias depois, em dois de março, o exército israelense também realizou ofensivas no Líbano, com bombardeios na Região Sul de Beirute. Logo depois, o país iniciou operações terrestres, sob a justificativas que os ataques são "limitadas e seletivas contra redutos-chave" do Hezbollah na região.
Um aspecto importante do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.
Recém-completadas três semanas de guerra, o Oriente Médio registrou mais de duas mil mortes. O Irã é o país com mais número de vítimas, contabilizando mais de 1.300 mortes segundo o embaixador do país nas Nações Unidas. Outros países também são alvos de bombardeios e ataques, como a Arábia Saudita com duas vítimas, Bahrein (2), Emirados Árabes Unidos (6), EUA (13), Iraque (32), Israel (15), Kuwait (6), Líbano (1.001), Omã (3).
Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em uma coletiva de imprensa nessa terça-feira (17). Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.
