Guerra no Oriente Médio 'ameaça a segurança alimentar global', adverte OMC
Conflito travado entre EUA e Israel contra Irã prejudica transporte de petróleo e expõe território da Palestina

A guerra no Oriente Médio, travada desde o dia 28 de fevereiro, representa uma ameaça grave para a segurança alimentar mundial, advertiu, nesta quinta-feira (19), a diretora da Organização Mundial do Comércio (OMC), pedindo que as cadeias globais de abastecimento permaneçam abertas.
O conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã "ameaça a segurança alimentar global, já que as interrupções no transporte e o aumento dos custos energéticos reduzem a oferta e elevam o preço dos fertilizantes", disse Ngozi Okonjo Iweala à jornalistas em Genebra.
"Uma interrupção prolongada no fornecimento poderia se espalhar pelos sistemas alimentares, o que levaria os agricultores a reduzir o uso de fertilizantes e a cultivar menos culturas intensivas em insumos", acrescentou.
Também insistiu que é "essencial manter os canais de comércio global de alimentos abertos e previsíveis, permitindo que os suprimentos alimentares cheguem onde são mais necessários".
O apontamento de Ngozi faz menção ao bloqueio corrente no transporte pelo Estreito de Ormuz, responsável por 20% do fluxo de petróleo e gás natural no mundo, que faz conexão do Irã com os Emirados Árabes Unidos e Omã.
Entretanto, um petroleiro com bandeira do Paquistão foi identificado em travessia pela região no último domingo (15), além de indicativos do governo iraniano de que a passagem estaria fechada apenas para inimigos do país.
Uma das regiões afetadas pela crise humanitária, que pode ser intensificada com os desdobramentos da guerra, é a Palestina, território que faz divisa com Israel e mantém conflito com o país há mais de 60 anos, intensificado em 2023.
A passagem de fronteira de Rafah, única conexão por terra da Faixa de Gaza, que conecta a região ao Egito, foi reaberta nesta quinta-feira (19) de forma limitada, pela primeira vez desde que Israel fechou o ponto em 28 de fevereiro, confirmaram à Agência France-Presse fontes oficiais palestinas e egípcias.
O local foi tomado pelas forças israelenses, durante a guerra contra o movimento islamista palestino Hamas, e foi reaberta para trânsito limitado. Contudo, a passagem foi novamente com o início dos ataques contra o Irã que desencadearam a atual guerra no Oriente Médio.
Primeira morte na Palestina é registrada durante guerra
Uma explosão sem aviso prévio foi registrada na cidade palestina de Beit Awa e matou quatro mulheres em um salão de beleza após bombardeio promovido pelo Irã.
Inicialmente, os médicos informaram que três mulheres morreram no local. Uma quarta mulher, grávida de seis meses, não resistiu aos ferimentos e faleceu posteriormente no hospital.
Todos estavam no salão de beleza na véspera do início do Eid al-Fitr, que marca o fim do mês sagrado muçulmano do Ramadã.
Na Cisjordânia ocupada por Israel, as primeiras mortes de palestinos na guerra do Oriente Médio intensificaram o sentimento de impotência diante da situação de vulnerabilidade que os cerca, agora presos no fogo cruzado de mais um conflito.
Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.



