FBI investiga diretor que se demitiu por ser contra guerra no Irã
Então diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, Joe Kent, deixou o cargo por ser contra motivações para confronto no Oriente Médio

O serviço de inteligência dos Estados Unidos, conhecido pela sigla FBI, abriu uma investigação por suposto vazamento de informações confidenciais contra o ex-diretor do Contraterrorismo dos Estados Unidos, Joseph Kent, que renunciou ao cargo em protesto contra a guerra com o Irã, informou a imprensa americana.
Joe Kent era o diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo (NCTC, na sigla em inglês) até renunciar ao cargo nessa terça-feira (17) em uma carta, na qual critica duramente a guerra contra o Irã.
Na carta de renúncia, Kent escreveu ao presidente Donald Trump que não poderia "em sã consciência apoiar a guerra em curso no Irã".
"O Irã não representava uma ameaça iminente contra nossa nação, e está claro que iniciamos esta guerra por causa da pressão de Israel e de seu poderoso lobby nos Estados Unidos", afirmou Kent.
Segundo informações de vários meios de comunicação, incluindo o jornal The New York Times e a emissora CBS, que citaram fontes anônimas que acompanham a situação, a investigação do FBI contra Kent é anterior à renúncia.
Uma fonte declarou ao site de notícias Semafor que a investigação já durava "meses". O FBI não respondeu a um pedido de comentário.
Em uma entrevista ao apresentador de direita Tucker Carlson, publicada na noite dessa quarta-feira (18), Kent reafirmou a posição que tomou.
"Não havia nenhum relatório de inteligência que afirmasse: 'Olha, em tal data... os iranianos vão lançar este grande ataque surpresa. Vão fazer uma espécie de 11 de setembro ou Pearl Harbor'", disse Kent.
Ele afirmou que Israel "impulsionou a decisão" de entrar em guerra e que os Estados Unidos sabiam que os iranianos atuariam com medidas de represália.
"Acredito que é correto oferecermos defesa a Israel. Mas, quando fornecemos os meios para a sua defesa, nós podemos ditar os termos sobre quando passam à ofensiva", acrescentou.
Kent, 45 anos, ex-integrante das forças especiais Boinas Verdes com participação em múltiplas missões de combate, foi nomeado pelo presidente para dirigir o NCTC, onde trabalhou na análise e na resposta dos Estados Unidos a ameaças e atuou como principal conselheiro de contraterrorismo do mandatário republicano.
Na terça-feira, Trump acusou Kent de ser "muito fraco em matéria de segurança" e considerou "algo bom que ele tenha ido embora".
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, rejeitou o que classificou como "afirmações falsas" na carta de renúncia de Kent e considerou "insultante e ridícula" a sugestão de que a decisão de ir à guerra foi tomada "em função da influência de outros".
Demissão de Diretor do Centro Contraterrista repercute nos EUA
Joe Kent anunciou o pedido de demissão por meio de uma publicação no X, antigo Twitter. Segundo Joe, ele não pode “em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã”.
“O Irã não representava nenhuma ameaça iminente à nossa nação, e está claro que iniciamos esta guerra devido à pressão de Israel e de seu poderoso lobby americano”, declara o ex-diretor na publicação.
Para o diretor, a guerra com o Irã foi criada por pressão de um núcleo israelense no governo que teria minado a premissa “America First” (América primeiro, em tradução livre para o português), que prioriza os interesses estadunidenses, e teria criado uma “câmara de eco” para confundir Trump.
Drones desconhecidos sobrevoam base militar
Autoridades dos Estados Unidos detectaram drones não identificados sobrevoando a base militar de Washington, onde residem o secretário de Estado Marco Rubio e o secretário de Defesa Pete Hegseth.
A informação, publicada pelo jornal americano “Washington Post”, teria sido confirmada por três pessoas informadas sobre a situação. Duas dessas pessoas disseram que as autoridades ainda não determinaram a origem dos drones.
Devido ao elevado nível de alerta em decorrência dos ataques conjuntos entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, as Forças Armadas estão monitorando potenciais ameaças com mais atenção, segundo um alto funcionário do governo que falou sob condição de anonimato para discutir assuntos de segurança sensíveis.
*Com informações da AFP
(Sob supervisão de Alex Araújo)
Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.



