Países da América Latina estão entre os '10 piores do mundo' para os trabalhadores; entenda
Argentina, Panamá e Equador integram lista na categoria 5, que corresponde ao dos países com 'direitos não garantidos', segundo a Confederação Sindical Internacional (CSI)

Três países da América Latina estão entre os "10 piores países do mundo" para direitos dos trabalhadores, segundo um estudo da Confederação Sindical Internacional (CSI), divulgado nesta segunda-feira (1º). Argentina, Panamá e Equador integram o grupo ao lado de Belarus, Egito, Essuatíni, Mianmar, Nigéria, Tunísia e Turquia.
A Argentina entrou este ano na lista dos 10 piores para os trabalhadores. O relatório "Índice Global dos Direitos", da CSI, aponta que o país caiu para a categoria 5 (corresponde ao dos países com "direitos não garantidos"), "registrando o segundo ano consecutivo de deterioração de sua classificação".
Para o estudo, o resultado acontece a partir do momento em que as condições para os trabalhadores e os sindicatos se tornam cada vez mais "repressivas e hostis sob o governo de extrema direita do presidente Javier Milei".
"A classificação da Argentina piorou pelo segundo ano consecutivo, situando-se na categoria 5, o pior nível já alcançado por esse país sul-americano no Índice. Isso representa uma queda brusca e sem precedentes da categoria 3 para a 5 em apenas dois anos", afirma o relatório.
Ainda conforme o estudo da CSI, o retrocesso do país se deve à "existência de violações regulares dos direitos para uma situação em que os trabalhadores não têm seus direitos garantidos".
Panamá
No caso do Panamá, a Confederação Sindical Internacional (CSI) indicou que "trabalhadores e sindicatos do país carecem de garantias quanto aos direitos básicos e enfrentam uma opressão constante por parte dos empregadores e do Estado".
Equador
Enquanto isso, sobre o Equador, o relatório apontou que "os legisladores equatorianos promulgaram em 2025 uma lei que permite realizar vigilância sem ordem judicial, bem como interceptar comunicações e coletar dados privados".
Onde estão os outros países latino-americanos?
Brasil, Costa Rica, El Salvador, Peru e Trinidad e Tobago estão no grupo 4, destinado aos países com "violações sistemáticas de direitos". Por outro lado, Bahamas, Bolívia, Chile, Jamaica, México e Paraguai aparecem no grupo 3, com "violações regulares" de direitos.
O único país latino-americano no grupo 1 ("violações esporádicas") é o Uruguai, ao lado de Alemanha, Áustria, Dinamarca, Islândia, Irlanda, Noruega e Suécia.
Conforme o estudo, o Uruguai constitui "uma exceção em uma região amplamente caracterizada pela repressão sindical e pela exploração", mesmo em uma região considerada a "mais letal para os trabalhadores e representantes, com execuções extrajudiciais registradas na Colômbia e no México".
Aproximadamente 9 em cada 10 países tiveram o direito de greve violado e o registro de sindicatos impedido. Em aproximadamente metade dos 25 países da região, trabalhadores foram detidos ou encarcerados, segundo a CSI.
O relatório, elaborado pela Confederação Sindical Internacional (CSI) desde 2014, classifica 151 países com base em 97 indicadores fundamentados em convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e em sua jurisprudência.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



