EUA: Trump garante que guerra no Irã ‘terminará muito em breve’

Declaração indica que confronto pode durar menos que o calendário de quatro semanas previsto anteriormente

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou que guerra deve durar menos que o esperado por ele inicialmente

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assegurou nessa segunda-feira (9) que a guerra contra o Irã “terminará muito em breve”, entretanto, não afirmou quando. Teerã, que continua lançando ataques com mísseis e drones no golfo Pérsico, rejeitou suas palavras.

Declarações anteriores de Trump no mesmo sentido fizeram cair os preços do petróleo, que haviam disparado, e impulsionaram os mercados.

“Isto terminará em breve, e se voltar a começar, o golpe será ainda mais duro”, disse Trump em uma coletiva de imprensa na Flórida, ao ser questionado sobre a ofensiva iniciada há dez dias por Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Trump também disse que a evolução do conflito está “muito à frente” do cronograma de quatro a cinco semanas que havia mencionado anteriormente.

A Guarda Revolucionária, o exército ideológico da república islâmica, não concordou. “Seremos nós que decidiremos o fim da guerra”, disse um porta-voz do grupo em um comunicado publicado por meios de comunicação iranianos. As decisões e o futuro da região “estão agora nas mãos de nossas forças armadas; as forças norte-americanas não colocarão fim à guerra”, acrescentou o texto.

Trump também ameaçou atacar o Irã “muito, muito duramente” se bloquear o transporte de petróleo na região através do Estreito de Ormuz, por onde transita um quinto da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito (GNL).

“Essa via marítima estratégica permanecerá intransitável enquanto a guerra continuar”, advertiu durante a segunda-feira o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani.

Os Estados Unidos atacaram mais de 5 mil alvos em dez dias, entre eles mais de 50 navios iranianos, anunciou na segunda-feira o exército americano. Washington afirma que busca destruir as capacidades balísticas do país e impedir que ele obtenha a bomba atômica, intenção que Teerã nega ter. Por sua vez, o exército israelense anunciou na noite de segunda-feira ter lançado uma onda de ataques “em grande escala” contra Teerã.

Irã anuncia eleição de novo líder

No Irã, o regime mobilizou seus partidários para celebrar a nomeação de Mojtaba Khamenei como líder supremo em substituição a seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, que morreu em 28 de fevereiro, primeiro dia da guerra, em ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel.

Segundo o Irã, 1.200 pessoas morreram desde então, números que a Agência France-Presse (AFP) não pode verificar de forma independente.

“Deus é grande”, “Morte aos Estados Unidos”, “Morte a Israel”, gritavam milhares de iranianos vestidos de preto em uma praça central de Teerã, reunidos em apoio ao novo líder de 56 anos, próximo à Guarda Revolucionária. “Nós o apoiaremos e obedeceremos todas as suas ordens até nosso último suspiro”, declarou à AFP Somayeh Marzoughi, uma dona de casa de 35 anos. No entanto, o novo líder supremo ainda não apareceu em público.

Israel já o apontou como “um alvo” e o qualificou como “tirano disposto a perpetuar a brutalidade do regime iraniano”. Por sua vez, Trump reiterou que está “decepcionado com essa escolha” e afirmou que “isso não fará mais do que perpetuar os problemas que este país está vivendo”.

Enquanto isso, o Irã continua com seus ataques de represália contra o território israelense e a infraestrutura petrolífera de seus vizinhos na região do Golfo. Um segundo míssil iraniano também foi interceptado sobre a Turquia, o que provocou uma advertência de Ancara a Teerã.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, propôs na segunda-feira a seu par turco, Recep Tayyip Erdogan, durante uma conversa telefônica, a criação de uma “equipe conjunta” para investigar esses incidentes, segundo os meios de comunicação iranianos.

Petróleo e bolsas afetadas pelo conflito

A conflagração no Oriente Médio provocou um aumento repentino dos preços do petróleo que, se se prolongar, poderá prejudicar a economia mundial.

Os ministros das Finanças do G7 mencionaram nesta segunda-feira um possível uso das reservas estratégicas de petróleo.

Com o estreito de Ormuz bloqueado, o preço dos contratos de referência do petróleo disparou acima de 100 dólares por barril, seus níveis mais altos desde a invasão russa da Ucrânia em 2022, antes de recuar após as declarações de Trump sobre um eventual fim próximo da guerra.

Os preços de referência do petróleo subiram entre 40% e 50% desde que os Estados Unidos e Israel lançaram sua campanha militar contra o Irã, enquanto as bolsas de todo o mundo caíram, afetando fundos de pensão e poupanças.

Os sinais de Trump de que o conflito seria de curta duração repercutiram positivamente em Wall Street, e o sentimento se estendeu nesta terça-feira às bolsas asiáticas.

Os preços do petróleo caíram 7% na manhã desta terça-feira (10) no comércio asiático, com valores em torno de US$ 90 (R$ 471) por barril.

*Com informações da AFP

(Sob supervisão de Alex Araújo)

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Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.

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