Escritora recebe R$ 28,5 milhões em processo contra Trump por abuso sexual e difamação
Pagamento foi liberado nessa segunda-feira (13) de uma conta judicial, onde o dinheiro permanecia depositado desde o veredito de 2023; defesa do presidente dos Estados Unidos afirma que continuará recorrendo da decisão

A escritora E. Jean Carroll recebeu mais de US$ 5,6 milhões (R$ 28,5 milhões) após vencer uma ação por abuso sexual e difamação contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O pagamento foi liberado nessa segunda-feira (13) de uma conta judicial, onde o dinheiro permanecia depositado desde o veredito de 2023.
A advogada de Carroll, Roberta Kaplan, confimou a transferência nesta terça-feira (14). "Temos o prazer de informar que ela recebeu o pagamento da indenização", disse em nota. Momentos depois, a escritora escreveu em uma rede social que "a águia pousou".
Enquanto isso, os advogados de Trump divulgaram que continuarão recorrendo da decisão. O presidente dos EUA havia depositado o valor na conta judicial de garantia logo após o júri decidir contra ele. No mês de junho, a Suprema Corte dos Estados Unidos manteve a condenação na esfera cível, abrindo caminho para que o juiz Lewis A. Kaplan autorizasse a liberação dos recursos.
Antes da liberação da quantia, a defesa do republicano tentou impedir o pagamento com um pedido de emergência, mas o recurso foi rejeitado. Agora, os advogados apresentaram um novo recurso para tentar suspender ou reverter o pagamento.
A decisão não restringe como Carroll poderá utilizar o dinheiro. Documentos apresentados à Justiça apontam que a escritora predente aplicar o valor em uma conta de aposentadoria.
Relembre o caso
O júri concluiu que Donald Trump abusou sexualmente de Carroll em 1996, em um provador de uma loja de departamentos de luxo em Nova York, nos Estados Unidos, e a difamou após ela tornar o caso público em um livro de memórias lançado em 2019, durante o primeiro mandato do republicano.
Trump sempre negou as acusações. Ele afirmou que não houve qualquer contato sexual entre os dois, disse que Carroll, hoje com 82 anos e ex-colunista de conselhos, estava "mentindo completamente" e declarou que ela "não faz seu tipo".
O republicano também afirmou que não a conhecia, minimizou uma fotografia dos dois em uma festa em 1987 e acusou a escritora de agir por motivação política e promoção do livro.
A escritora conseguiu processá-lo após o estado de Nova York alterar a legislação e criar uma janela que permitiu a vítimas de abuso sexual mover ações judiciais por casos ocorridos décadas antes. Donald Trump não compareceu ao julgamento.
Além desse processo, Trump também recorre de outra condenação, que determinou o pagamento de US$ 83 milhões por difamação a Carroll em um julgamento separado realizado em Manhattan, em 2024.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



