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'Deixem o petróleo fluir', diz Trump após acordo entre EUA e Irã

Presidente dos Estados Unidos confirmou fim da guerra e anunciou a abertura imediata do Estreito de Ormuz

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Estreito de Ormuz é classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo
Estreito de Ormuz é classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo • NASA | AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, neste domingo (14), a reabertura do Estreito de Ormuz e a remoção imediata do bloqueio naval do país na passagem marítima. A decisão acontece após os EUA e o Irã confirmarem um acodro de paz.

A declaração foi divulgada em uma publicação na rede social Truth Social. "Autorizo ​​integralmente a abertura do Estreito de Ormuz sem pedágio e, simultaneamente, autorizo ​​a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos", escreveu Trump, pedindo para que "deixem o petróleo fluir".

"O acordo com a República Islâmica do Irã está concluído. Parabéns a todos! Autorizo ​​integralmente a abertura do Estreito de Ormuz sem pedágio e, simultaneamente, autorizo ​​a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos. Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir! Presidente DONALD J. TRUMP"

Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo, ficou praticamente paralisado pela guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro.

A via é o caminho de escoamento para 20% do Gás Natural Liquefeito (GNL) negociado no planeta. Além disso, cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto transitam, em condições normais, pela passagem diariamente.

O fechamento do Estreito de Ormuz afeta diretamente a economia mundial, visto que a maioria do fluxo atual está impedida de transitar no local. Nos Estados Unidos, por exemplo, o preço da gasolina chegou a US$ 3,72 por galão, em média, de acordo com a Associação Automobilística Americana (em inglês: American Automobile Association). Este é o preço mais alto do combustível comum desde 7 de outubro de 2023.

Antes de um acordo entre os EUA e o Irã, Trump havia divulgado, na quarta-feira (10), que o país executou uma missão secreta no mês de maio para possibilitar a passagem de navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz. A ação teve como resultado mais de 100 milhões de barris de petróleo escoados e mais de 200 navios comerciais fizeram a travessia, segundo Trump.

"Esse esforço extremamente bem-sucedido deve-se ao fato de que os ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA CONTROLAM o Estreito de Ormuz — NÃO o Irã. As forças militares deles estão derrotadas e a economia deles está perdida. Acabou para o Irã", escreveu Donald Trump.

Acordo entre EUA e Irã

Vice-presidente dos EUA, JD Vance, com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif • PRIME MINISTER'S OFFICE HANDOUT
Vice-presidente dos EUA, JD Vance, com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif • PRIME MINISTER'S OFFICE HANDOUT

Os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo de paz, neste domingo (14), e devem assiná-lo ainda nesta semana. A informação foi divulgada pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif — país intermediador durante as negociações de cessar-fogo.

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, viajou até o Paquistão para uma reunião com Shehbaz Sharif neste fim de semana.

Sharif publicou a notícia nas redes sociais. No texto, o primeiro-ministro informou, ainda, que o acordo deve ser assinado na próxima sexta-feira (19), em uma cerimônia oficial na Suíça.

"O acordo de paz entre os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irã FOI ALCANÇADO. A cerimônia oficial de assinatura ocorrerá na sexta-feira, 19 de junho, na Suíça", escreveu Shehbaz Sharif.

O presidente dos EUA também confirmou o acordo, em uma publicação na Truth Social. O republicano parabenizou a todos envolvidos no acordo de paz entre os países. Ele havia dito que a assinatura do acordo de paz estava marcada para este domingo, em uma postagem também na Truth Social no sábado (13).

Entenda o conflito no Oriente Médio

Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear. Desde então mais de duas mil pessoas morreram.

Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.

Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.

Um aspecto importante do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.

Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em março. Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.