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Além de Katy Perry, voo da Blue Origin levou plantas desenvolvidas por brasileiros ao espaço

Amostras eram de plantas de batata-doce e sementes de grão-de bico; cientistas querem melhorar espécies para que elas consigam ser cultivadas no espaço e sirvam se alimento para astronautas

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Além da cantora norte-americana Katy Perry, nave tinha espécies desenvolvidas pela Empabra a bordo • Divulgação/ Blue Origin

O voo da Blue Origin, que tinha a cantora norte-americana Katy Perry a bordo, também levou ao espaço plantas de batata-doce e sementes de grão de bico, ambas desenvolvidas por cientistas brasileiros dos programas de melhoramento genético da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

A nave New Shepard realizou uma expedição, de cerca 10 minutos, pela órbita da terra nesta segunda-feira (14). A tripulação era formada exclusivamente por mulheres.

Além da estrela pop, estavam a bordo: Lauren Sánchez, jornalista e noiva de Bezos; Aisha Bowe, engenheira aeroespacial e ex-cientista de foguetes da NASA; Amanda Nguyen, pesquisadora em bioastronáutica e ativista pelos direitos das mulheres; Gayle King, jornalista; Kerianne Flynn, produtora cinematográfica.

Por que batata-doce e grão-de-bico?

De acordo com a Empabra, a batata-doce e o grão-de-bico foram escolhidos porque reúnem vantagens nutricionais e de plantio no ambiente espacial. A ideia dos cientistas é melhorar geneticamente as espécies para que, futuramente, elas possam ser cultivadas fora da Terra.

“As raízes da batata-doce produzem compostos bioativos que promovem a saúde humana, pois atuam como poderosos antioxidantes naturais que inibem a ação de radicais livres no organismo. Esse consumo é especialmente valioso em ambientes expostos à radiação, como nas condições da Lua, de Marte ou na Estação Espacial Internacional”, explica a engenheira-agrônoma Larissa Vendrame, pesquisadora de melhoramento genético da Embrapa Hortaliças.

Pesquisa pode melhorar agricultura na Terra

“Muitos são os exemplos de soluções espaciais que tiveram aplicações no cotidiano das pessoas. A NASA já publicou mais de duas mil dessas tecnologias que são utilizadas no nosso dia a dia, como telas de celulares, termômetros com infravermelho, comida desidratada, etc. Da mesma forma, podemos avançar muito em tecnologias para a agricultura brasileira, usando inteligência artificial na irrigação, melhoria e adequação de plantas em cultivo indoor, novas cultivares mais adaptadas aos desafios impostos pelas mudanças climáticas, mais produtivas e mais nutritivas”, destacou a pesquisadora da Embrapa Pecuária Sudeste, Alessandra Fávero, que coordena a Rede Space Farming Brazil.

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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.