Belo Horizonte
Itatiaia

Fezes de pinguins contribuem positivamente contra mudanças climáticas, diz estudo

A pesquisa foi publicada nessa quinta-feira (22) na revista Communications Earth & Environment

Por
Os dois novos casos foram confirmados em pinguis
Fezes de pinguins contribuem positivamente contra mudanças climáticas, diz estudo • Nilson Coelho | Agência Petrobras

A Antártida está esquentando em ritmo acelerado por causa das mudanças climáticas causadas pela ação humana. Mas um novo estudo aponta um aliado inesperado na tentativa de conter esse aquecimento: as fezes dos pinguins.

Segundo a pesquisa publicada nesta quinta-feira (22) na revista Communications Earth & Environment, o amoníaco liberado pelo guano — fezes acumuladas de aves, morcegos ou focas — dos pinguins forma uma camada extra de nuvens sobre a costa da Antártida, capaz de bloquear a luz do sol e ajudar a reduzir a temperatura.

Matthew Boyer, autor principal do trabalho e pesquisador atmosférico da Universidade de Helsinque, explicou à AFP que, até agora, não se havia quantificado o processo pelo qual o amoníaco gasoso pode ajudar a formar nuvens, tampouco se havia observado sua influência na Antártida.

Para capturar o efeito, Boyer e sua equipe instalaram instrumentos na Base Marambio da Argentina na Ilha Seymour, no extremo norte da Península Antártica.

Durante o verão no hemisfério sul — quando as colônias de pinguins estão no auge e a fotossíntese do fitoplâncton alcança seu pico máximo — os pesquisadores monitoraram a direção do vento, os níveis de amoníaco e as nuvens recém-formadas.

Notaram que, quando a brisa soprava da colônia de 60 mil pinguins Adelia, a oito quilômetros de distância, o amoníaco atmosférico disparava para 13,5 partes por bilhão, aproximadamente mil vezes o nível base.

Por mais de um mês depois que as aves partiram em sua migração anual, as concentrações se mantiveram cerca de 100 vezes maiores graças ao solo empapado de guano. Os aerossóis geradores de nuvens também aumentavam cada vez que as massas de ar chegavam da colônia.

“Fornecemos evidência de que a queda da população de pinguins poderia causar uma retroalimentação positiva do aquecimento global na atmosfera no verão da Antártida”, escreveram os autores, embora Boyer tenha enfatizado que isso continua sendo uma hipótese, não um resultado confirmado.

Globalmente, as nuvens têm um efeito líquido de esfriamento ao refletirem a radiação solar de volta para o espaço. Com base em modelos do Ártico sobre emissões das aves marinhas, a equipe acredita que um mecanismo similar provavelmente esteja acontecendo na Antártida.

“Esse é somente outro exemplo da profunda conexão entre o ecossistema e os processos atmosféricos, e por que deveríamos nos preocupar com a biodiversidade e a conservação”, afirmou Boyer.

* AFP

Por

A Rádio de Minas. Tudo sobre o futebol mineiro, política, economia e informações de todo o Estado. A Itatiaia dá notícia de tudo.