Baleias-jubarte voltam a ocupar o litoral brasileiro após décadas de ameaça de extinção
Após chegar perto da extinção, a espécie passou de 2 mil para mais de 35 mil animais no Brasil em três décadas, segundo estimativas

O Instituto Baleia Jubarte completa 30 anos de atuação nesta terça-feira (3), com avanços na conservação de uma das maiores espécies de mamíferos marinhos do planeta. Desde o início dos trabalhos de monitoramento, na década de 1990, a população de baleias-jubarte no Brasil passou de aproximadamente 1,5 mil a 2 mil animais para mais de 35 mil, segundo estimativas da instituição.
Criado em 1996, o instituto teve papel importante na recuperação da espécie, que chegou a ser considerada ameaçada de extinção após décadas de caça comercial. A atividade foi proibida no Brasil em 1987, mas deixou a população de jubartes em situação crítica.
Um ano depois da proibição, pesquisadores identificaram uma pequena população sobrevivente no arquipélago de Abrolhos, no litoral sul da Bahia. A descoberta motivou o fotógrafo de vida selvagem Enrico Marcovaldi e a bióloga Márcia Engel a criarem o Projeto Baleia Jubarte, iniciativa que deu origem ao instituto.
Na primeira estimativa populacional, realizada no início da década de 1990, os pesquisadores identificaram entre 1,5 mil e 2 mil animais. O número ultrapassou 35 mil na contagem de 2022, a mais recente estimativa consolidada mencionada pela instituição. Os cálculos referentes a 2026 ainda estão em andamento.
Em 2014, a baleia-jubarte deixou a lista de espécies ameaçadas de extinção. Para acompanhar a recuperação, os pesquisadores utilizam diferentes métodos de monitoramento, como sobrevoos do litoral entre São Paulo e Rio Grande do Norte, registros fotográficos e coleta de amostras biológicas.
Pesquisa e conservação
Ao longo de três décadas, o Instituto Baleia Jubarte também ampliou a produção científica sobre a espécie. Mais de 700 estudantes de graduação já participaram do programa de estágio da instituição, cerca de 60 pesquisas de mestrado e doutorado foram concluídas em parceria com o instituto e mais de 130 artigos científicos foram publicados.
Uma das descobertas importantes foi a identificação das rotas migratórias dos animais. Todos os anos, as baleias deixam as áreas de alimentação próximas à Antártica e seguem para águas tropicais, onde acasalam e dão à luz. No Brasil, o arquipélago de Abrolhos é um dos principais locais de reprodução da espécie.
Os registros das nadadeiras caudais, que apresentam padrões únicos para cada indivíduo, também ajudaram os pesquisadores a identificar mais de 10 mil baleias. Atualmente, as imagens são compartilhadas em uma plataforma colaborativa que utiliza inteligência artificial para reconhecer os animais e acompanhar seus deslocamentos.
Mudanças climáticas e poluição estão entre os desafios
Apesar da recuperação populacional, as baleias-jubarte ainda enfrentam ameaças relacionadas à atividade humana e às mudanças ambientais. Entre as principais preocupações estão a poluição dos oceanos, a presença de microplásticos e as alterações na disponibilidade de alimento provocadas pelas mudanças climáticas.
Pesquisadores também investigam os efeitos da navegação, do turismo, das atividades de exploração sísmica e da instalação de usinas eólicas sobre o comportamento dos animais.
Outro campo de estudo acompanha a relação entre as fêmeas e seus filhotes, além de possíveis impactos das mudanças na temperatura das águas antárticas sobre a oferta de krill, um dos principais alimentos das jubartes.
Além das pesquisas, o instituto participa de iniciativas de conservação marinha e presta assessoria a empresas para reduzir impactos ambientais. O conhecimento produzido pelo monitoramento das baleias, por exemplo, contribuiu para a alteração da rota de embarcações que atendem ao Terminal Aquaviário de São Sebastião, em São Paulo, para evitar áreas de migração dos animais.
A Petrobras financia o trabalho do Instituto Baleia Jubarte desde sua criação. Para o ciclo atual, de quatro anos, a estatal destinou cerca de R$ 30 milhões à instituição.
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