Bactérias, toxinas e El Niño são investigados após morte de baleias na Argentina
Pesquisadores analisam possíveis causas da mortandade na Patagônia, incluindo infecção bacteriana em filhotes e intoxicação por microalgas

A morte de cerca de 30 baleias-francas-austrais na Península Valdés e no Golfo Nuevo, na Patagônia argentina, mobiliza pesquisadores. Entre as hipóteses investigadas estão uma infecção bacteriana, toxinas produzidas por microalgas e possíveis alterações ambientais associadas ao fenômeno El Niño.
As causas ainda não foram totalmente esclarecidas. Segundo o jornal argentino Clarín, o Instituto de Conservação de Baleias (ICB) estima que a mortalidade de filhotes possa superar o recorde de 2012, quando 113 animais morreram.
Bactéria pode provocar infecção grave
Análises preliminares identificaram a bactéria Erysipelothrix rhusiopathiae em filhotes. O microrganismo é associado à erisipela, uma infecção que pode evoluir para septicemia e comprometimento de múltiplos órgãos.
A presença da bactéria, porém, não explica necessariamente todas as mortes. Em animais jovens e adultos, não foram observadas lesões cutâneas compatíveis com a doença, o que levou os cientistas a investigar outras possibilidades.
Toxinas marinhas estão entre as hipóteses
Outra linha de investigação considera a intoxicação por biotoxinas produzidas por microalgas durante episódios conhecidos como maré vermelha. Essas substâncias podem afetar organismos marinhos e provocar intoxicações graves.
A região já registrou mortes de baleias associadas a esse fenômeno. Em 2022, 30 animais morreram no Golfo Nuevo, e análises identificaram toxinas relacionadas à intoxicação paralítica por mariscos. Em 2024, outro episódio resultou na morte de 71 baleias.
El Niño pode ter influência?
O fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico equatorial, também está entre os fatores considerados. Ele pode alterar padrões climáticos e influenciar condições ambientais, mas não há evidências suficientes para confirmar sua participação nas mortes.
Um censo aéreo realizado em 6 de setembro contabilizou 1.375 baleias-francas-austrais na região, incluindo 409 filhotes. O número corresponde aos animais observados no levantamento, e não à quantidade de mortes.
Os pesquisadores continuam analisando as amostras para determinar as causas da mortandade e verificar se os casos envolvendo animais de diferentes idades têm relação entre si.
Pablo Paixão é graduado em Jornalismo, pela UFMG, e em Cinema e Audiovisual, pelo Centro Universitário UNA BH. Tem experiência em diferentes áreas da comunicação e marketing. Com passagem pela TV UFMG, na Itatiaia atuou inicialmente nas editorias de Entretenimento, Cultura e Minas Gerais. Atualmente, colabora com as editorias Pop e Carnaval.



