Itatiaia

Super El Niño acende alerta para seca e incêndios florestais no Norte do Brasil

A intensificação causou um aumento recorde de 2,4 vezes nos focos de calor na Amazônia entre setembro e outubro de 2026, agravando a seca e expondo milhões de brasileiros à fumaça

Por
Queimadas: Amazonas registrou segundo pior setembro desde 1998.
Amazonas registrou segundo pior setembro desde 1998 • CNN Brasil

A intensificação do "Super El Niño" impulsiona os incêndios florestais e agrava a seca na região Norte do Brasil. Entre 13 de setembro e 12 de outubro de 2026, a Amazônia registrou cerca de 15.449 focos de calor, um aumento de 2,4 vezes em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando foram identificados 6.507 registros.

Dados do boletim ClimaInfo revelam a dimensão do avanço do fogo em municípios com forte atividade agropecuária. O fenômeno ocorre em um território cada vez mais quente e vulnerável a eventos climáticos extremos, segundo o instituto.

No período analisado, a Amazônia representou 53,1% de todos os focos de calor contabilizados no Brasil. O Pará, por sua vez, concentrou a maioria das ocorrências, com 7.984 registros, enquanto o Amapá teve quase o triplo dos focos verificados um ano antes.

Os focos de calor são pontos com temperaturas anormalmente elevadas detectados por satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Contudo, o indicador não equivale necessariamente ao número de incêndios nem permite medir a área total atingida pelo fogo.

A combinação de seca, altas temperaturas e queimadas está ampliando a exposição de milhões de brasileiros à fumaça, que pode provocar danos à saúde mesmo longe das áreas afetadas pelos incêndios, conforme aponta o boletim. Imagens de satélite revelam um corredor de fumaça que se desloca do Norte para o Sul do Brasil.

O instituto detalha que as partículas finas presentes na poluição, conhecidas como PM₂₅, penetram profundamente nos pulmões. A exposição pode causar irritação e inflamação das vias respiratórias, tosse, falta de ar e agravar doenças como asma e doença pulmonar obstrutiva crônica.

Além disso, o levantamento indica que a poluição também pode desencadear respostas inflamatórias e alterações na circulação sanguínea, aumentando os riscos cardiovasculares. Crianças, gestantes, idosos e pessoas com doenças preexistentes estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos da fumaça.

Um estudo publicado na revista científica Nature Communications analisou mais de 2 milhões de internações no Brasil entre 2008 e 2018. A pesquisa identificou uma associação entre ondas de incêndios florestais e aumentos de 23% nas internações por doenças respiratórias e de 21% naquelas por doenças circulatórias.

Adicionalmente, outra pesquisa brasileira também identificou uma associação entre a exposição à fumaça de queimadas no primeiro trimestre da gravidez e um aumento de 41% nas chances de parto prematuro na região Sudeste.

Segundo o pneumologista Felipe Saddy, é fundamental adotar políticas mais rigorosas para garantir ambientes saudáveis. Isso inclui o controle das emissões industriais e veiculares, a ampliação de áreas verdes e o monitoramento da qualidade do ar.

"A poluição do ar é uma agressão invisível que corrói silenciosamente o futuro das crianças [...] é obrigação coletiva que o ar que nossas crianças respiram seja digno, puro e saudável", afirmou Saddy.

Por

Acompanhe as últimas notícias produzidas pela CNN Brasil, publicadas na Itatiaia.

 

 

Belo Horizonte