‘Sem heroísmo, sem pena’: o amor nas várias facetas da maternidade atípica
A gente precisa de visibilidade, de respeito e de espaço”, destaca a mobilizadora social Ana Kelly Dias, de Juiz de Fora. Um projeto em parceria dela e da fotógrafa Nathalia Reges destaca as diversas experiências de ser mãe “além de um diagnóstico”

Mais que diagnóstico, vidas reais em suas alegrias e desafios cotidianos é a realidade na rotina das mães atípicas. Mulheres que entenderam que a maternidade vai além do ideal e que se permitem viver o amor sem limites pelas vidas que geraram e são responsáveis.
Em Juiz de Fora, uma delas é a mobilizadora social Ana Kelly Dias. Ela viveu duas experiências distintas: o primogênito Mateus apresentou a “inundação de amor que transborda, de forma leve e simples”, como ela descreve.
A caçula Lis trouxe a reviravolta: a gestação tranquila terminou em um parto complicado por erros. A bebê respirou mecônio e voltou da morte por mãos profissionais. O diagnóstico de paralisia cerebral trouxe incerteza e medo e a necessidade de respostas para perguntas sem fim. O sonho da maternidade é cotidiano, atípico e a tornou a melhor mãe todos os dias, um propósito que superou expectativas
“Sem filtros, sem romantização, sem extremos. No meu dia-a-dia eu aprendi a transformar a maternidade no meu ideal, não no ideal que as pessoas esperam. Não na perfeição do que inventaram, do que é ser mãe, mas o que é de verdade para mim e para a minha família”, contou à Itatiaia.
Nenhuma maternidade tem manual e a atípica acrescenta demandas específicas conforme a necessidade da criança. Ana Kelly comenta que isso não cria “guerreiras e heroínas”, mas é a forja da mãe no dia a dia.
“É acordar sem saber o que espera da gente ao longo do dia. É comemorar as conquistas mais simples. É lidar com as incertezas, com os desafios e com as felicidades que quem só vive é que vai entender. É uma vida com amor, com aprendizados, com adaptações que acontecem diariamente. O principal não é uma vida que precisa nem de heroísmo e muito menos de pena. A gente precisa de visibilidade, de respeito e de espaço”.
Carinho e vida eternizados para todos verem
Em busca desta visibilidade, Ana Kelly, idealizadora Mães Atípicas JF encontrou a parceria na fotógrafa Nathália Rheges, que realiza o projeto Mulheres Extraordinárias. O resultado se tornou arte em forma das fotografias na exposição “Mães Extraordinárias”, protagonizadas por 13 mulheres e seus filhos,
“A exposição veio para dar visibilidade a muitas famílias que muitas vezes são invisibilizadas. Famílias que vivem, resistem, lutam, mas nem sempre são vistas além dos rótulos. Ela veio para mostrar que atrás de cada diagnóstico tem uma história, uma rotina, uma maternidade real. Não é ser guerreira o tempo todo, não é ser coitada, é ser real, é ser de verdade. Não é estrela, nem é rótulo, é vida acontecendo. Enxergar essas famílias como elas realmente são, com as suas vitórias, com a sua potência e com a sua vulnerabilidade. Mas acima de tudo, com a sua humanidade”.
A exposição Mães Extraordinárias está em cartaz até 31 de maio no Independência Shopping. A visitação é gratuita.
Natural de Juiz de Fora, jornalista com graduação e mestrado pela Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Experiência anterior em Rádio, TV e Internet. Gosta de esporte, filmes e livros. Editora Web na Itatiaia Juiz de Fora desde 2023. Tricampeã na categoria Web/Mídias Digitais no Prêmio Oddone Turolla de Jornalismo, do Sindicomércio JF.



