Itatiaia

Médico do HU-UFJF esclarece dúvidas e mitos sobre a toxoplasmose

Gatos não são vilões, garante especialista da unidade do HU Brasil em Juiz de Fora, onde realizado diagnóstico e tratamento pelo SUS das pacientes diagnosticadas.

PorJuiz de Fora
Vlada Karpovich/Pexels

Uma das zoonoses mais comuns do mundo, a toxoplasmose é uma das doenças identificadas ao longo do pré-natal. Afinal de contas, ela pode colocar em risco a gestante e o bebê.

Em entrevista à Itatiaia, André Jaenicke, ginecologista e obstetra Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF), vinculado à HU Brasil, esclareceu dúvidas sobre a doença, sintomas, formas de prevenir e tratar - e os mitos que colocam os gatos como os grandes vilões - o que desvia a atenção do verdadeiro perigo.

Medicina Fetal

O HU-UFJF/HU Brasil é referência em acompanhamento e tratamento da doença para gestantes diagnosticadas, via Sistema Único de Saúde (SUS). Conforme o ginecologista e obstetra, Dr André Jaenicke, o serviço de medicina fetal acompanha gestantes de alto risco, inclusive as que estão infectadas com a toxoplasmose e oferece o tratamento através do SUS.

O diagnóstico é feito através de uma avaliação sorológica no sangue das gestantes. Uma vez com a infecção, existe um tratamento totalmente gratuito oferecido pelo SUS, a partir do preenchimento de um protocolo de epidemiologia”

Além do acesso à medicação gratuita, no serviço de medicina fetal é possível saber se o bebê foi afetado pela doença. “Essas pacientes, às vezes, são submetidas a um procedimento chamado amniocentese, onde se retira ali um pouco do líquido amniótico do ventre materno para ver se a criança se infectou ou não”.

A partir do diagnóstico, há o tratamento que costuma trazer resposta positiva e cura em muitos casos. A doença pode colocar em risco a gestação.

“É uma doença que pode comprometer, sim, a vida da criança, a vida do feto. Ela pode provocar alterações neurológicas e principalmente visuais, pode também contribuir para o pouco desenvolvimento dessa criança. É um feto que não desenvolve muito, que não ganha muito peso”.

HU / UFJF • HU/UFJF / Divulgação
HU / UFJF • HU/UFJF / Divulgação

O gato e a toxoplasmose: mitos e verdades

O protozoário que causa a doença tem o gato como hospedeiro. Por isso, André Jaenicke esclarece que o felino não deve ser tratado como ‘vilão’ sobre a toxoplasmose.

Na verdade, ele não é o vilão, ele é um hospedeiro definitivo de um parasita que, por sua vez, pode contaminar o homem. É no trato gastrointestinal do felino que esse parasita se multiplica, se reproduz e é eliminado na natureza. E através dessa eliminação pode haver contágio de água, alimentos, terra, e por sua vez contaminar o homem”.

Desta forma, é falso que as mulheres não podem ter um felino enquanto estiverem gestantes, segundo o ginecologista e obstetra do HU-UFJF/HU Brasil.

“Desfazer do animal, porque esse gato pode levar a essa gestante à doença, é um mito. A maior forma de contágio se dá através da contaminação dos alimentos no meio ambiente, sejam as verduras, a água, a carne mal cozida. O ser humano não tem a chance de contrair a doença através do contato direto com o animal. Portanto, não há necessidade de se livrar do bichinho”.

• Reprodução | Pexels - IMAGEM ILUSTRATIVA
• Reprodução | Pexels - IMAGEM ILUSTRATIVA

E o médico ressalta que os cuidados higiênicos básicos evitam a toxoplasmose. “Evitar alimentos crus, água que não se sabe a procedência, carnes mal passadas, mal cozidas e manter também evitar o contato direto com terra, principalmente em locais públicos, onde às vezes gatinho infectado pode contaminar esse meio”, explicou.

Em 2025, o Brasil notificou 10.779 casos de toxoplasmose adquirida na gestação, segundo o Painel de Toxoplasmose do Ministério da Saúde. As mulheres diagnosticadas com toxoplasmose anteriormente normalmente são imunes à doença. A exceção seria as pacientes imunodeprimidas, que já tiveram Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) ou são portadoras de HIV, e/ou estão em tratamento oncológico, que poderão reativar a doença durante a gestação.

Por

Natural de Juiz de Fora, jornalista com graduação e mestrado pela Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Experiência anterior em Rádio, TV e Internet. Gosta de esporte, filmes e livros. Editora Web na Itatiaia Juiz de Fora desde 2023. Tricampeã na categoria Web/Mídias Digitais no Prêmio Oddone Turolla de Jornalismo, do Sindicomércio JF.

 

 

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