BH na China: como a gastronomia belo-horizontina tem sido recebida em feira em Macau?
Festival reúne 48 cidades de 24 países em Macau; além de Belo Horizonte, Paraty (RJ), Florianópolis (SC) e Belém (PA) representam o Brasil na feira gastronômica internacional que ocorre em Macau até domingo (29)


Caldo de feijão sabor feijoada
Vitor Velloso, um dos proprietários do Pirex, criado em 2021, contou que ser escolhido é “parecido com a sensação de ser convocado pra jogar uma Copa”.
O Pirex buscou unir seus pratos populares do badalado bar Galeria São Vicente, na Raul Soares, ao paladar asiático. “Demos alguns pequenos toques para oferecer um ponto de encontro entre as culturas para os clientes da feira. É o caso do nosso bolovo, que aqui ganhou uma marinada de shoyu, muito usual na Ásia. Ou no gergelim que entrou no pão de queijo com doce de leite, fazendo contraponto ao dulçor.”
Macau, como o Brasil, foi colônia portuguesa e tem mais em comum do que muita gente pensa. “Então as semelhanças saltam aos olhos em vias calçadas com pedras portuguesas, nas ruas com nomes em português… às vezes até esquecemos que estamos tão longe do Brasil. Também na gastronomia, a herança portuguesa nos une”, contou. Já a maior diferença fica por conta do grau de picância.
Ele contou que, ao abrir o estande nos últimos dias, já havia pessoas esperando para comprar pão de queijo, moela e bolovo. “Temos tido dificuldade em atender toda a demanda. Isso tem sido motivo de muita alegria (e muito trabalho também) para nossa equipe”, disse.
Prexeca e pudim

André Palhares representa o avô, o pai e o tio como terceira geração do tradicional e clássico Café Palhares, fundado em 1938, conhecido pela KAOL - que dispensa apresentações.
“Nós não podíamos levar o KAOL porque é um prato muito grande, com seis ingredientes diferentes e que demandaria muito trabalho”, explicou. No lugar, foram selecionados três pratos: o pudim de leite condensado - que tem sido um sucesso, de acordo com André -, o sanduíche de pernil e o bolinho de carne.
“Escolhemos o sanduíche de porco, já tradicional no Palhares, porque o público local gosta muito desse tipo de carne. Também levamos o bolinho de carne, o ‘prexeca’, mas com uma adaptação: em vez de carne bovina, usamos um blend de porco para agradar o paladar macaense e representar a linguiça do KAOL, feita diariamente na casa.”
Ele contou que o clima por lá é de festa e muita troca. “Há uma união muito grande, com troca de experiências e conversa. Ao fim de cada dia, quem costuma ficar junto, tomando uma cerveja e conversando, são os latino-americanos. Outros países, como China, Tailândia e Benin, também participam, mas, por diferenças culturais e de idioma, essa troca não é tão forte quanto entre brasileiros e latino-americanos” contou.
Como chegaram até lá?
O presidente da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur), Eduardo Cruvinel, que também embarcou para Macau, destacou que é a segunda participação da capital mineira e ocorreu por meio de uma chamada pública lançada pela organização, aberta aos locais que integram a rede Cidades Criativas da Gastronomia e se candidatam às vagas disponíveis.
''No caso de Macau, houve ainda uma estratégia de valorização de cidades com herança cultural portuguesa, o que favorece a seleção de destinos que compartilham vínculos históricos, gastronômicos e linguísticos. Essa diretriz também se reflete no formato do evento, que é realizado em três idiomas: cantonês, inglês e português", disse.
No primeiro fim de semana a comida de belo-horizontina foi destaque, com pratos esgotados."O tempero marcante e a forma acolhedora de interação com os visitantes contribuíram para o sucesso das operações, com os pratos se esgotando antes mesmo do encerramento diário da feira",contou.
O International Cities of Gastronomy 2026 começou no dia 20 de março e termina no próximo domingo (30).

Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.




