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Amor ou ódio? A polêmica da iguaria que divide opiniões na culinária brasileira

Especialista explica origem de pratos indicados como “piores” na lista da TasteAtlas

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Reprodução / Banco de imagens do canva

Já parou para pensar por que as pessoas gostam tanto de pequi? Ou por que odeiam tanto? A Itatiaia foi atrás da resposta depois que um prato feito com pequi foi parar em uma lista de piores comidas brasileiras.

Em entrevista, a Professora de gastronomia do Senac MG, Giovana Gomes da Silva Beliene Vila, explica um pouco sobre toda a controvérsia envolvendo esse fruto tão polêmico.

Para a professora, as pessoas que gostam do pequi normalmente têm uma “conexão” com o prato, relembrando a memória afetiva do passado e de seu lugar de origem. “Isso das pessoas amarem vem muito da memória afetiva e cultural. A gente tem uma gama da população que cresceu comendo pequi, consumindo pequi cozido no arroz e considera a fruta uma verdadeira iguaria. Então, assim, quando a gente tem essa memória afetiva, a gente tem uma conexão com o prato” , explica.

O especialista em comunicação Anderson Veloso concorda com a professora. Em entrevista ao programa Chamada Geral, da Itatiaia, relatou o carinho pelo prato: “eu gosto tanto porque me remete a minha infância, na época de final de ano, Natal [...] gosto cozido, com farinha, carne moída, frango, no arroz. Pequi é assim, ou gosta ou odeia” relata o mineiro, natural do Nortes do estado.

E para quem odeia, a especialista também tem uma explicação. Como o fruto tem sabor e aroma fortes gera uma rejeição, além dos espinhos também causarem essa sensação. Vila descreve o fruto como “terroso e floral” e explica: “Acredito que o pequi traz uma uma experiência gastronômica quase que sensorial e a rejeição dele, é justamente pelo sabor intenso que ele tem, a textura diferenciada e a presença de espinhos no caroço dele, então tem que ser uma forma correta de comer.”

Inconfundível

Não precisa comer o pequi efetivamente para saber que o cheiro dele se espalha pela casa, antes mesmo do próprio cozimento. O sabor é tão forte que acaba “saborizando” outros alimentos que estão próximos, mas para que isso não aconteça há uma solução.

A professora Giovana dá a dica de como conservar o pequi sem ter esse problema. "Eu recomendo fazer uma conserva em salmoura do pequi e embalar bem, de preferência no vácuo . Claro que a conserva com água sal e vinagre, ele pode sofrer alteração, como qualquer outro ingrediente fresco, mas o sabor dele é muito forte então as principais características vão se manter", recomenda.

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Origem

TasteAtlas

A lista de 37 itens da TasteAtlas sobre as piores comidas brasileiras colocou o arroz com pequi em 2° lugar, mas o “grande campeão” é o cuscuz paulista. Sobre esse prato a professora também explicou o motivo da estranheza que ele gera nas pessoas.

“Tem a presença de muitos sabores e texturas juntos, que às vezes não agrada o paladar. O formato também estranha as pessoas. O cuscuz paulista tem como base a farinha de milho, aí tem um peixe, ovo, ervilha, pimentão, tomate e diversos ingredientes, é um prato que tem uma identidade cultural muito grande.”

Mas há quem goste dessa mistura, assim como o arroz com pequi, o cuscuz paulista carrega não só memória afetiva, mas também história.

Segundo a professora, a teoria mais aceita é que o cuscuz paulista tenha origem da culinária indígena devido ao uso da farinha de milho como base e com a adição de algum caldo, e com a colonização portuguesa e a presença de povos africanos no Brasil, ingredientes como a sardinha e ervilha foram sendo adicionados.

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Formada pela PUC Minas, Gabriela é apaixonada por redes sociais e novidades do meio. Ela faz parte do time de Redes da Itatiaia, mas também contribui nas editorias de Gastronomia e Entretenimento.