Ouro em casa: DNA da conquista levou Martine Grael e Kahena Kunze ao topo
Dupla brasileira conquistou medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio há 10 anos

A Vela foi, por algum tempo, esporte que mais rendeu medalhas olímpicas para o Brasil. Na véspera dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, mantinha esse status. Martine Grael e Kahena Kunze honraram o DNA vencedor do esporte para conquistar o ouro nas águas da capital carioca há exatos 10 anos.
A classe pela qual o ouro foi conquistado, a 49er FX, estreava nos Jogos Olímpicos. Martine e Kahena haviam vencido os dois eventos-teste nas águas da Baía da Guanabara e tinham conquistado o ouro no Mundial em 2014.
A história de Martine e Kahena se cruzaram desde pequenas. A primeira, filha do histórico bicampeão olímpico Torben Grael. A segunda, descendente de alemães e também filha de Claudio, campeão mundial júnior. Desde pequena eram rivais e se cruzavam pelas águas.
Em 2009, já como dupla, conquistaram o título mundial júnior na classe 420. A parceria foi desfeita, mas retomada no final de 2012. Kahena havia abandonado o esporte e cursava Engenharia Ambiental na PUC do Rio.
Os estudos foram postos de lado para retomar o esporte. Os frutos foram colhidos ao longo de dois ciclos olímpicos.
A disputa no Rio
Foram 12 regatas na Marina da Glória para definir a dupla campeã olímpica. As brasileiras foram crescendo ao longo da competição. Após a primeira regata difícil, elas acharam o ritmo para render e pontuar para chegar na última regata em condições de medalha.
Quatro duplas chegaram à decisão com chance de título. A vitória do ouro veio com a vantagem de dois segundos.
Três embarcações estavam empatadas na primeira posição. Além das brasileiras, as espanholas Tamara Echegoyen e Berta Betanzos e as dinamarquesas Jena Mai Hansen e Katja Salskov-Iversen.
O início brasileiro foi bom, mas não o suficiente. O começo foi justo, mas as neozelandesas Alex Maloney e Molly Meech estavam à frente. A 'caça' pelas adversárias foi até o último contorno quando as brasileiras superaram as adversárias.
Depois da liderança, administraram a liderança até a linha final. A pequena vantagem gerou o maior resultado da vida das atletas.
Pós Rio-2016
A dupla seguiu competitiva por muitos anos. Elas foram bicampeãs Pan-Americanas (Lima-2019 e Santiago-2023). Os bons resultados após o Rio credenciaram a chegar em mais uma Olimpíada em alta.
O ouro olímpico foi defendido com sucesso do outro lado do mundo. Martine e Kahena conquistaram novamente o lugar mais alto do pódio.
A terceira olimpíada foi a de pior resultados. As duas terminaram na oitava colocação. Pouco depois, a dupla foi desfeita.
Leonardo Parrela é chefe de reportagem do portal Itatiaia Esporte. É formado em Jornalismo pela PUC Minas. Antes da Itatiaia, colaborou com ge.globo, UOL Esporte e Hoje Em Dia. Tem experiência em diversas coberturas como Copa do Mundo, Olimpíada e grandes eventos.



