Ouro em casa: Thiago Braz surpreendeu o mundo para brilhar no Rio há 10 anos
Conquista histórica do brasileiro completa uma década neste sábado (15)

Uma medalha inesperada numa noite mágica. Assim foi a conquista de Thiago Braz no salto com vara. No dia 15 de agosto de 2016, no Estádio Olímpico Nilton Santos, o brasileiro superou o favorito Renaud Lavillenie, quebrou recorde olímpico e garantiu o lugar mais alto do pódio na disputa no Rio de Janeiro.
Nascido em Marília, Thiago superou um drama no começo da vida. Ele foi criado pelos avós, após ser abandonado pela mãe.
Thiago chegou para a disputa como desconhecido do 'grande público', mas com um nome a zelar no esporte. À época detinha recordes sul-americanos e já havia sido campeão juvenil em 2012.
O baque em 2014 foi grande. Dois anos antes da Olimpíada, sofreu uma lesão no punho esquerdo após cair fora do colchão ao final de um salto. Ele precisou passar por cirurgia e pelo processo de retomada de confiança.
A disputa no Rio
A disputa começou com 12 atletas. Thiago começou saltando 5,65m. O francês Lavillenie, atual campeão olímpico na época, começou saltando 5,75m.
O canadense Shawnacy Barber ficou pelo caminho logo aos 5,65m. Ele falhou três vezes ao tentar superar a altura e estava fora da briga.
O brasileiro falhou na primeira tentativa de igualar o francês. Na segunda, superou a marca e se credenciou para a briga enquanto a competição se afunilava.
Thiago e Lavillenie seguiam à frente do pelotão. Os competidores 'estacionaram' na marca de 5,85m, superada por ambos na primeira tentativa. A partir disso, tornou-se uma disputa 'mano a mano'.
Da Silva wins Gold! 🥇
Brazil’s Thiago Braz da Silva vaulting his way to victory at Rio 2016. 🇧🇷#StrongerTogether pic.twitter.com/SULuSQrYFK— The Olympic Games™ (@Olympics) June 29, 2021
Entre erros e acertos, a torcida teve papel fundamental na disputa. Os brasileiros presentes no estádio torceram e, depois, foram alvos de reclamação do adversário francês.
Thiago Braz superou, pela primeira vez na carreira, a marca dos 6m. Com o salto de 6,03m, tinha marcado o recorde olímpico e jogado a pressão para o adversário.
Lavillenie errou as duas tentativas de igualar o brasileiro. Na última cartada, já indo para o tudo ou nada, também não passou dos 6,08m e ficou com a medalha de prata.
Pós Rio-2016
O ouro olímpico foi o ponto alto da carreira de Thiago. O ciclo como campeão olímpico foi abaixo do esperado, sem medalhas no Mundial e no Pan-Americano. Apesar disso, se classificou para a Olimpíada de Tóquio.
A disputa no Japão foi, novamente, surpreendente. Thiago, em baixa e longe do favoritismo, surpreendeu e conquistou a medalha de bronze.
Em 2022, conquistou a prata no Mundial de Pista Coberta. Na outra disputa, em pista aberta, terminou com o quarto lugar.
Em 2023, foi provisoriamente suspenso das competições após testar positivo para ostarina, droga utilizada para aumento de massa muscular. A defesa do atleta alegou que a ingestão da substância foi por meio de suplementos contaminados.
A Unidade de Integridade do Atletismo (AIU) aceitou o argumento. A punição caiu de quatro anos para 16 meses. O veredito tirou Thiago da disputa por uma vaga em Paris-2024.
Leonardo Parrela é chefe de reportagem do portal Itatiaia Esporte. É formado em Jornalismo pela PUC Minas. Antes da Itatiaia, colaborou com ge.globo, UOL Esporte e Hoje Em Dia. Tem experiência em diversas coberturas como Copa do Mundo, Olimpíada e grandes eventos.



